terça-feira, 11 de dezembro de 2012


HOMENAGEM AO DIA DOS PROFESSORES 
ESCOLA MACHADO DE ASSIS




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PARA OS PROFESSORES

Eu não sei quanto tempo faz
Que eu aprendi
A escrever o meu nome
Com a sua letra

Lembro quando
Segurou a minha mão
E me ensinou a escrever
A letra "A"

Das coisas que hoje eu sei 
Sei que aprendi
Aprendi a te guardar 
No coração.

Alunos da 3ª série
         Escola 



















quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ATITUDE

ATITUDE   

   É impressionante a vida...                                     Alguns homens que são gênios
Se acham simples
Alguns homens que são simples
Se acham gênios
OBRIGADO
OSCAR NIEMEYER
Por ajuntar as duas virtudes
E nos mostrar
Que é possível ser HUMANO.

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CADEIRA DE BALANÇO.



— Eu nem sei qual é a canção que toco agora. – Pausa. – Vejo os ponteiros do relógio andando em círculos... – Disse o menino já impaciente ao pai.
— Ei! Deixa os ponteiros do relógio fazerem o seu trabalho e preste atenção na música... Mas o quê tem a ver os ponteiros com a música?! – Gilson berrou lá da varanda.
— Pai, você pediu pra contar o tempo...
— Sim, mas o tempo da música.
Sávio voltou a concentrar no teclado. As novidades à mercê de alguns botões. Acionou um. Jingle Bells encheu a sala.
— Eu não pedi pra você estudar? Por que tá brincando?
— ... E... um ... E dois. E um... E dois... E...
— Conte mentalmente o tempo, eu não preciso ouvir!
Silêncio.
— Ei! Por que não está tocando?!
— Você disse que não quer ouvir...
— Não quero ouvir você contando o tempo. E deixa de fazer gracinhas e estude... Use a mão esquerda também!
Sávio enrubesceu. Há três formas de aprender músicas, pela própria vontade, pela vontade dos pais e pelo status. Pensou o garoto. Mamãe canta porque gosta de música, papai toca guitarra por status e eu? Pela vontade deles.
Quando o sol adormecia, observava os pais sentados na varanda fazendo planos. Ele estava acostumado a fazer planos. Não era como os planos de um adulto. Tudo o que queria era ser selecionado numa peneira, ser um grande jogador de futebol, dar entrevistas, discurso rápido. E se tivesse que contar o tempo, que seria esse o tempo do jogo começar. Um dia para ser bom tem de ser planejado. Da varanda observava os pássaros oferecendo rasantes. Pássaros não fazem planos. Todos os dias sabem que precisam de comida, e se apenas pensassem, não se alimentavam. Às vezes voava como eles e, de tanto pensar, não pensava nada. Gilson entregou-lhe alguns CDs e disse para ouvi-los.
— Pai, hoje eu não posso, tenho que fazer um teste. – Sávio disse, falando com os olhos e com as mãos.
— Deixa o menino se divertir, homem de Deus. – Pausa. – Quando ele se interessar pela música, vai nos encher de orgulho. Não é, filho? – Disse a mãe, observando o teclado e a cadência harmônica que o menino estudava. – Eu andei observando, Gilson, o tempo na música é contado sempre em busca do acorde que ainda não foi feito ou da nota que ainda vai soar e, mesmo que eu não veja, há movimentos dentro da música, ouvindo-os eu os sinto, sentindo-os eu posso compreendê-los e é justamente isso que faz o encanto. Há um tempo para todas as coisas, não é, querido? – Ela disse, estendendo as mãos para o filho.
Sávio respondeu gesticulando com os ombros.
O dia acordou cinzento. Gilson sentou na cadeira dos planos e se dispôs a enfrentar o domingo. Sávio tinha onze anos quando dera o nome à cadeira. A mãe gostou, pois, quando sentava ali as suas indagações ganhavam respostas. Dois dos seus planos mais importantes tiveram início ali e só depois foram apresentados na única igreja do bairro. Agora o salão da igreja tinha curso de costura e de pintura, mas não tinha ninguém para costurar nem pintar. Não basta realizar os planos, dá trabalho mantê-los. Mas isso cabia ao pastor resolver. Ela havia feito o mais difícil, pensar.
Ela sentou na cadeira dos planos com o orgulho de quem queria pensar em inovação. O estilo de vida da sua cunhada Margarida tomou o restante do dia, dos seus planos e dos seus afazeres. No final do dia pensamos mais no que fizeram e pouco no que fizemos. A sociedade nos ensina isso, afinal, vemos notícias para saber de quem? Da cadeira, enquanto pensava, viu os móveis fora do lugar. Observou que o marido precisava ajudar mais em casa e que Sávio não estava bem na escola, mas, precisava pensar.
O feriado da segunda-feira estava cheio do sol. Um vento brando deslizava rasante, deitando as folhas do mal cuidado jardim. Gilson observou o Sr. José se aproximando. Há dias o seu pai não o visitava. Enquanto aguardava a chegada em passos lentos do seu gerador, Gilson forçava o corpo para movimentar a cadeira em que estava sentado. O esforço não o tirava do lugar. Tantas coisas simples ele poderia fazer. Visitar amigos, ligar apenas para dizer “tudo bem”?  Poderia simplesmente ver o filho jogar futebol ou se dedicar mais à música. 
— Como vai a vida, moço? – O Sr. José quis saber, após uma longa conversa com o filho.
— Tá indo. - Gilson respondeu fazendo movimentos na cadeira.
— Pretende ir com ela? – Gilson sorriu. Precisava levantar e viver, antes que o tempo se distanciasse. 


domingo, 2 de dezembro de 2012

UMA QUESTÃO DE ELEGÂNCIA


A música do Roberto Carlos tocava no rádio de um dos carros parados frente à sorveteria em que estávamos. “Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois”. Tomávamos sorvetes, outros, cerveja. Antes, a canção “Eu e Ela” ganhara dimensões em nossos corações, mesmo não concordando com os dizeres: “Coisas lindas são faladas na madrugada”. – Na hora do meu sono não consigo dizer nada. Nem sonhando. Coisas bonitas são ditas na hora certa, agora, se for a Paula Fernandes, pode ser de madrugada, eu acordo.
Mara estava linda em cima dos saltos, mas confessara, aqueles sapatos lhe faziam bolhas nos calcanhares. A estética vale mais que o conforto? Penso que sim. Pensando por elas. Uma amiga minha economizou três meses para comprar um vestido que para mim não valia quinze dias, mas gosto é opinião e ter opinião é uma questão de opinião. No meio de tantos vestidos que cobririam a pele, escolheu um que não lhe guardava o corpo. Queria arrasar na festa. A natureza é feminina, mas desconhece a estética para propor o conforto. No dia em que a minha amiga usou o vestido, o tempo mudou. Tremendo, ela suportou o frio. Negou-se a usar um casaco, pois a jaqueta era feia, o vestido era lindo e ela estava elegante.
Mara estava elegante, mas os sapatos não pensavam assim – se é que os sapatos pensam, pois se pensassem, seriam inimigos mortais no dia em que não quisessem sair.
            Os cabelos soltos, compridos, negros. Calça justa e de tão justa parecia que o corpo escondia a calça e não a calça o corpo. A blusa com gola em “v” era normal.
— Amanhã de manhã, você vai pedir um café pra nós dois?!! – Ela disse sorrindo. A conversa voltou para a canção que ganhou pauta de filosofia.
— Posso pedir.
Falei. Mais querendo ser romântico que elegante. É uma estética. Você diz que me ama e eu vou responder da mesma forma para o instante ficar bonito. O conforto é verdadeiro. Pensei no quanto é elegante convidar alguém para tomar um café. Penso também como é deselegante convidar alguém para conhecer o apartamento. O café é um grão que se torna pó, que vira líquido. Depois de fervido se torna elegante. Todo mundo convida ou já convidou alguém para tomar um café.
— Acho cafona essa coisa de convidar uma mulher para um cafezinho...
Mara disse sem rodeios.
— Eu acho elegante. – Respondi convicto, pensando na teoria do professor Edilson Ortiz. Contou-me certa feita que, no intervalo de um curso, notou que a sua colega – também adepta à ideia de que é cafonice convidar alguém para um cafezinho – aguardava o pessoal para os comes e bebes. Ele, certo da sua teoria, usou a prática para convencer a moça, que não mudava de opinião. Enquanto ela esperava, ele lhe apresentou dentro de uma bacia outro fruto da terra, uma banana.  A moça espantou-se. Observou o gesto sem entender. Depois de esboçar um embaraçado sorriso, indagou:
— “O que é isso”?!
 Ele explicou:
— Já vi muita gente convidar alguém para tomar um café, mas nunca vi ninguém convidar outro pra comer uma banana.
A moça mudou de expressão e aderiu-se a elegância de um cafezinho.
Depois de ouvir, Mara lançou-me um olhar demorado.
— Amanhã de manhã, vou fazer um café pra nós dois...
Sorri.
— Que tal à tarde?
— Pode ser. Um convite para um cafezinho é elegante a qualquer momento.