segunda-feira, 4 de setembro de 2017

E JOSÉ RESPONDE, DEPOIS DE TANTO TEMPO



Sei que me perguntas, todos perguntam e já faz tempo, E agora, José? E agora, José?
Mas quer mesmo saber?
Tem tempo para ouvir?
Vai interpretar da forma certa?
O povo sumiu, sim.
Com a noite fria
A festa terminada
E a luz apagada
Não havia motivos para permanecer.
Quer mesmo saber?
Amar, é um protesto contra o ódio
Faço versos, sim. É meu grito contra o vazio
Os outros zombados é a minha outra metade
Tenho nome, mas você nunca quis saber.
E agora, José?! Viu? O teu julgo lembrou meu nome
Estou sem mulher, sim!
Como Jesus, Paulo, os padres... Mario Quintana... e daí?!
Mas pensando, carinho recebo quando ouço: E Agora, José?
Sartre me ensinou a conviver com as respostas
O que importa são as perguntas que faço a mim mesmo
Beber, fumar, cuspir, é uma opção.
Tudo posso, no optar que me fortalece
A noite agora é quente. Aquecimento global
O bonde não vem mais, o Uber, sim.
O Riso?! Haha! Veio, sim.
Você precisa assistir o Adnet, ler o Veríssimo...
A utopia não veio
Mas posso vê-la na política, na justiça...
Tudo não acabou, modificou-se
Tudo fugiu? Não! Ninguém mais foge, ninguém mais sente culpa.
Mofou? Ah, isso sim. As leis...os políticos... o sistema...
E você me pergunta: E agora, José.

Eu que pergunto, e agora?
Tenho palavras doces
E instantes de febre quando tenho que fazer jejum
E não dizer nada
O Pondé me alertou do Vitimismo.
Minha gula não é um defeito, ela sustenta meu edifício inteiro
Minha biblioteca é meu Eco.
Meu diário mínimo
Minha lavra de ouro
Meu terno de vidro
Incoerência? Ódio?
Seja coerente e se sentirás odiado, amigo

Você está certo em alguma coisa, não existe porta
Pedro tinha as chaves na mão e não abriu porra nenhuma
Quis morrer no mar, ensinaram ele andar sobre as águas
Quanto voltar para Minas, Minas não existe mais?!
Neves em Minas! Aquecimento Global!
É. Putz! E agora, José?

Do que adianta gritar, gemer?
Tocar uma valsa vienense,
parar no sinal e ouvir sertanejo-universitário, ou funk?
Ai, a gente volta para casa
E não quer dormir, mas morrer
Funk?!?!? Sertanejo?!?!
Ouvir isso, é duro, José.

Sozinho no escuro? Não.
Agora tenho um celular.
Ele tem luz e me conecta com o mundo
Bicho do mato?
O que mata são os bichos da cidade
Sua teogonia veste as paredes de buracos
Para vigiar a polícia.
Sem cavalo? Não, não.
Tenho um Rocinante branco
Que anda devagar
E marcha sobre as pedras no caminho
Para onde? Para uma cidade qualquer.