sexta-feira, 9 de agosto de 2024


UM JEITO DE NUNCA SER ESQUECIDA

            Em uma manhã de quinta-feira, como sempre, agitada. No pátio da escola, havia alguns alunos fazendo tarefas e conversando altos assuntos. O professor os deixou ali para sair um pouco do ambiente “sala de aula” e fazer com que eles produzissem um pouco mais. As mesas espalhadas recebiam cada uma um grupo de quatro alunos com seus materiais espalhados. Ao passar por eles afim de resolver detalhes na secretaria, uma aluna disse entre sorrisos e altas risadas:

Professor, você tem balinhas? Olhei para aquele grupo e como não pretendia invadir a aula do professor de ciências, disse:

            Hoje não tenho, se tiver estão na mochila. Escutei um, aaahhhhh!”. Eu tinha balas para quatro pessoas, o problema é que num grupo de trinta e dois alunos, todos iriam querer. Quando retornei em direção à minha sala, entreguei para o grupo dela dizendo:

            As balas são meu almoço. Todos do grupo riram e receberam balinhas de café. Voltei então a minha sala, encontrei os papéis que eu precisava, e retornei à secretaria. Eis que encontrei chorando a menina que pediu balinhas. As pessoas do grupo sorrindo dela. Enquanto chorava, também sorria como quem chora e ao mesmo tempo sorri de felicidade. Não era o caso da Adrielen, ela chorava por causa da minha expressão: as balas são meu almoço! Ela ria muito e chorando, devolveu a bala. Desculpe, tio... eu não sabia que era seu almoço.

Eu sem entender o que estava acontecendo quis saber do grupo, já que ela não conseguia falar. Percebi que somos capazes de chorar-sorrindo, mas não sabemos muito desabafar enquanto choramos.

             O meu coração deu mil voltas em volta de mim mesmo ao ver tanto choro misturado a sorrisos numa única pessoa só porque minhas palavras eram costumeiras, já que sempre expressei dizendo que as balas “são para mim um almoço”. O fato é que as balas me tiram a fome, mas minhas palavras não pensadas, podem causar transtornos. Uma menina do grupo foi quem me explicou o que estava acontecendo. Doeu saber, ou “ressaber”, que a sensibilidade pode ser demonstrada de várias formas e de um jeito que não sei perceber. Mas agora sabendo que “as balas de café são meu almoço”, não preciso contar para ninguém, mas posso falar de quem ri enquanto chora porque uma pequenina bala pode ser o almoço de alguém.