terça-feira, 8 de janeiro de 2013

TUDO QUE VICIA COMEÇA COM “C” - Luis Fernando Veríssimo

UMA DAS PÉROLAS DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO!





Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios...
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!
De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê. Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café, mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha ? - começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein?

E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade? Cinco. 
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o ato sexual e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

UMA SIMPLES CANÇÃO





UMA SIMPLES CANÇÃO (Tauane/ Nill )

Eu preciso de um verso simples
Pra compor uma canção
Não precisa rimar as palavras
Nem conter os verbos certos

Que toque o meu coração
E consiga me trazer emoção
Que me faça enxergar
Como a vida realmente é
E não como eu penso ser

Uma emoção, meu coração.
Uma simples canção
Pra renascer, pra escutar.
Pra curtir em paz, em algum lugar
Uma simples canção.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

ONTEM EU APRENDI!



Quando eu nasci, a minha mãe me falou coisas. Ensinou-me a viver essas coisas. Muitas deram certo. Ela estava certa. “Esse menino precisa aprender”. Dizia depois de uma bronca, ou de usar alguns acessórios, cintas, chinelos, pá de torrar café e varinhas. Às vezes a mão inteira ou um simples toque de dedos – o famoso beliscão – que volta e meia encontrava as minhas sensíveis orelhas. Quando puxadas, arregalavam-me os olhos. Acho que é por isso que vejo coisas que os meus amigos não veem. Mas eu não os interpreto, nem as coisas nem os amigos. Cada um vê o que pode, sente o que sente e vive como lhe apraz. Eu fui privilegiado.
Havia no quintal um pé de roseira que produzia galhos para a nossa educação. Aquela roseira cedia à minha mãe alguns galhos por dia. Tínhamos folga no fim de semana, mas, se as visitas fossem “da casa”, a roseira não se importava. Eu e o meu irmão éramos sócios naquela planta.
Algumas mães educavam por necessidade, a minha, por esporte. No espaço entre uma varada e outra, havia dor. O arrependimento reinava ali, mesmo por alguns segundos. Depois vinham outro dia, outras travessuras e outros galhos. As rosas que hoje vejo não são como as de ontem. Aquelas eram sem espinhos, ótimas para a educação. Sempre que vejo um pé de rosas, penso na palavra aprender. O meu pai a utilizou poucas vezes. Ele explicava o caminho das rosas. A cada varada ele esclarecia o porquê de cada dia e de cada travessura. Com ele o galho de uma flor ganhava a função de um diário. Lido com clareza, clareava nossos erros.
A palavra “aprender” vai do mais simples aos sofisticados detalhes da vida. Aprendi que não se enxuga as mãos com qualquer pano, que não se fala de qualquer jeito a fala, que não se escuta tudo que tem para ouvir. Nem ouvir de qualquer jeito o que era para escutar. Aprendi que somos como diamante, e que algumas pedras demoram mais para dar brilho. Aprendi que vivemos em dois extremos: vivemos por aquilo que cremos para nós e pelo que as pessoas deduzem sobre a gente. Depois de gastar os meus dias seguindo as palavras de quem não conhece o meu futuro, descobri que viver do meu jeito também pode dar certo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

OS SENTIMENTOS DE UMA MENINA



Quando a mesmice já não era mais a mesma e a memória não queria mais memorizar, despontou outro sentimento: a percepção. Essa estava ali guardada como se guarda alimentos na geladeira. Pode até não ser consumido, mas será visto em cada abrir da porta. A menina não gostava do seu nome, não gostava da sua turma, para resumir, não gostava de si mesma. Quando tinha a oportunidade de dizer um sim, fazia questão de dizer um não. Até dizia, mas depois de sustentar o “não”. Seres humanos são estranhos, tão estranhos que estranham a si mesmos. Ela já chegava cansada na sala. Até era um doce de pessoa. Sabia conversar, tinha feições delicadas e num papo com as amigas não parecia ter cara de onça amarrotada.
O professor levou a música “Epitáfio” para análise de texto. Quem sabe assim a menina despertava para um mundo que gira? Não deu certo. Quem não sabe conviver consigo mesmo acha que o problema são os outros.
— Devia ter complicado menos... Me importado menos... Com problemas pequenos...
O professor leu em voz alta.
— Essas coisas são dos Titãs. – Disse a menina enfunada. – Eles nem tão aí com a minha vida... Não conhecem os meus problemas... – Ela disse mordendo o lápis.
          Mário arregalou os olhos e puxou o professor pelo braço.
— Professor, por que as meninas sempre acordam de mau humor?
Os alunos, que falavam todos ao mesmo tempo, se aquietaram para ouvir a resposta do professor.
— Sei não, meu! – Disse o espantado professor sem saber dar a resposta.
Os alunos sorriram com o “sei não”. Estava ali uma resposta que o educador não sabia.
— Eu nunca acordei de mau humor. – Mário concluiu com vergonha da irmã que tinha cara de onça amarrotada.
— Ei! – Soou uma voz lá no fundo da sala. – Eu não sou menina e acordo de mau humor. – Era o Mauricio se justificando.
— Então você tem problema. – Disse o professor com um riso. Atônito com a pergunta do menino. – Eu tenho três filhos, um menino e duas meninas, confesso, nunca vi o Julinho acordando de mau humor, mas as meninas...
— Foi mal, pessoal! – Justificou o Mauricio arrependido do que disse.
— Pô, véio! Tinha que abrir essa boca? Você não sabe o que tá falando...
— Cala a boca você, Edinho. – Disse o Mauricio todo espinhado.
— Pessoal, vamos concentrar no texto... – Clamou o professor.
— Tá vendo, Mário, o Mauricio ta com “Silvanéia”, ta todo irritado. – Luan disse com desdém.
— Silvanéia! – Edinho pronunciou com ironia e sorriu com sarcasmo – um novo nome para o mau humor. – Todos riram.
— Moçada, vamos voltar pro texto! Chega de conversas.
Silvanéia se encolheu na carteira. Não sabia desse seu comportamento. Precisava mudar. O primeiro passo quando chegasse em casa era o de apagar do celular a música “Epitáfio”. Era melhor excluir a música ou mudar de atitude? Preferiu a música. Os adjetivos estranhos acrescentados nela eram um problema de interpretação. Cada um vê o que pensa e, pensando, cria a sua razão. Esqueceram a música. Todos tinham uma história para contar.
— Moçada, ontem eu vi um texto na internet, não o li todo, mas do pouco que observei, guardei uma frase: “O orgulho é a única doença em que a pessoa se sente bem enquanto à sua volta todos se sentem mal”.  Reflitam um pouco mais sobre seus comportamentos. – Disse o professor enquanto recolhia os textos.
A conversa que seguiu foi sobre a importância do bom humor. A menina não se pronunciou, mas ouviu ali que o mau humor de manhã não era um problema apenas dela, mas um problema de garotas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


HOMENAGEM AO DIA DOS PROFESSORES 
ESCOLA MACHADO DE ASSIS








PARA OS PROFESSORES

Eu não sei quanto tempo faz
Que eu aprendi
A escrever o meu nome
Com a sua letra

Lembro quando
Segurou a minha mão
E me ensinou a escrever
A letra "A"

Das coisas que hoje eu sei 
Sei que aprendi
Aprendi a te guardar 
No coração.

Alunos da 3ª série
         Escola 



















quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ATITUDE

ATITUDE   

   É impressionante a vida...                                     Alguns homens que são gênios
Se acham simples
Alguns homens que são simples
Se acham gênios
OBRIGADO
OSCAR NIEMEYER
Por ajuntar as duas virtudes
E nos mostrar
Que é possível ser HUMANO.

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CADEIRA DE BALANÇO.



— Eu nem sei qual é a canção que toco agora. – Pausa. – Vejo os ponteiros do relógio andando em círculos... – Disse o menino já impaciente ao pai.
— Ei! Deixa os ponteiros do relógio fazerem o seu trabalho e preste atenção na música... Mas o quê tem a ver os ponteiros com a música?! – Gilson berrou lá da varanda.
— Pai, você pediu pra contar o tempo...
— Sim, mas o tempo da música.
Sávio voltou a concentrar no teclado. As novidades à mercê de alguns botões. Acionou um. Jingle Bells encheu a sala.
— Eu não pedi pra você estudar? Por que tá brincando?
— ... E... um ... E dois. E um... E dois... E...
— Conte mentalmente o tempo, eu não preciso ouvir!
Silêncio.
— Ei! Por que não está tocando?!
— Você disse que não quer ouvir...
— Não quero ouvir você contando o tempo. E deixa de fazer gracinhas e estude... Use a mão esquerda também!
Sávio enrubesceu. Há três formas de aprender músicas, pela própria vontade, pela vontade dos pais e pelo status. Pensou o garoto. Mamãe canta porque gosta de música, papai toca guitarra por status e eu? Pela vontade deles.
Quando o sol adormecia, observava os pais sentados na varanda fazendo planos. Ele estava acostumado a fazer planos. Não era como os planos de um adulto. Tudo o que queria era ser selecionado numa peneira, ser um grande jogador de futebol, dar entrevistas, discurso rápido. E se tivesse que contar o tempo, que seria esse o tempo do jogo começar. Um dia para ser bom tem de ser planejado. Da varanda observava os pássaros oferecendo rasantes. Pássaros não fazem planos. Todos os dias sabem que precisam de comida, e se apenas pensassem, não se alimentavam. Às vezes voava como eles e, de tanto pensar, não pensava nada. Gilson entregou-lhe alguns CDs e disse para ouvi-los.
— Pai, hoje eu não posso, tenho que fazer um teste. – Sávio disse, falando com os olhos e com as mãos.
— Deixa o menino se divertir, homem de Deus. – Pausa. – Quando ele se interessar pela música, vai nos encher de orgulho. Não é, filho? – Disse a mãe, observando o teclado e a cadência harmônica que o menino estudava. – Eu andei observando, Gilson, o tempo na música é contado sempre em busca do acorde que ainda não foi feito ou da nota que ainda vai soar e, mesmo que eu não veja, há movimentos dentro da música, ouvindo-os eu os sinto, sentindo-os eu posso compreendê-los e é justamente isso que faz o encanto. Há um tempo para todas as coisas, não é, querido? – Ela disse, estendendo as mãos para o filho.
Sávio respondeu gesticulando com os ombros.
O dia acordou cinzento. Gilson sentou na cadeira dos planos e se dispôs a enfrentar o domingo. Sávio tinha onze anos quando dera o nome à cadeira. A mãe gostou, pois, quando sentava ali as suas indagações ganhavam respostas. Dois dos seus planos mais importantes tiveram início ali e só depois foram apresentados na única igreja do bairro. Agora o salão da igreja tinha curso de costura e de pintura, mas não tinha ninguém para costurar nem pintar. Não basta realizar os planos, dá trabalho mantê-los. Mas isso cabia ao pastor resolver. Ela havia feito o mais difícil, pensar.
Ela sentou na cadeira dos planos com o orgulho de quem queria pensar em inovação. O estilo de vida da sua cunhada Margarida tomou o restante do dia, dos seus planos e dos seus afazeres. No final do dia pensamos mais no que fizeram e pouco no que fizemos. A sociedade nos ensina isso, afinal, vemos notícias para saber de quem? Da cadeira, enquanto pensava, viu os móveis fora do lugar. Observou que o marido precisava ajudar mais em casa e que Sávio não estava bem na escola, mas, precisava pensar.
O feriado da segunda-feira estava cheio do sol. Um vento brando deslizava rasante, deitando as folhas do mal cuidado jardim. Gilson observou o Sr. José se aproximando. Há dias o seu pai não o visitava. Enquanto aguardava a chegada em passos lentos do seu gerador, Gilson forçava o corpo para movimentar a cadeira em que estava sentado. O esforço não o tirava do lugar. Tantas coisas simples ele poderia fazer. Visitar amigos, ligar apenas para dizer “tudo bem”?  Poderia simplesmente ver o filho jogar futebol ou se dedicar mais à música. 
— Como vai a vida, moço? – O Sr. José quis saber, após uma longa conversa com o filho.
— Tá indo. - Gilson respondeu fazendo movimentos na cadeira.
— Pretende ir com ela? – Gilson sorriu. Precisava levantar e viver, antes que o tempo se distanciasse.