Eram três os
meus melhores amigos, mas eles mudaram. Um está em Curitiba, outro reside em
Salvador e o terceiro aqui.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
DORMIR
DO♪♫i♪

Indisposto ao corpo
Eu me carrego torto
Quando vem o sono
E como quem a si ama
Me deixo achar a cama
E me abandono.
domingo, 27 de abril de 2014
O ROSTO NA TERCEIRA NOITE
No dia onze do mês de maio, às
19h28min, contei os passos, eram necessários três antes de chegar à porta e
nove até chegar ao púlpito, receber o microfone da mão do apresentador e
começar a minha palestra. A plateia aguardava por mais uma apresentação. Terceira
noite seguida, a poltrona quinze estava vazia. As cadeiras eram numeradas
devido aos sorteios no fim de cada dia de conferência.
Na minha
primeira apresentação naquela cidade, estava eu motivado à motivação. No embalo
do primeiro dia me senti engraçado, a plateia sorria até mesmo quando eu falava
sério. Fiquei preso na beleza de um rosto na segunda fila, cadeira quinze. Era
o único rosto que não sorria das minhas piadas, mas meneava a cabeça em sinal
de concordância quando alguma das minhas palavras a tocava. Ela mantinha a
cabeça inclinada para baixo, levantava, concordava e permanecia imóvel aos
risos da multidão.
Antes que eu
terminasse, saiu em direção à porta lateral.
Sem perder o
raciocínio, eu a segui com os olhos, até que ela se ocultou da minha visão.
Na primeira
noite, os cabelos estavam soltos. Havia nela um sorriso disposto a qualquer
gracejo do colega ao lado. Ela erguia a cabeça, lançava um olhar rápido em
minha direção, olhava para o colega ao lado, batia com o ombro nele e voltava a
abaixar cabeça.
Na segunda
noite os cabelos estavam presos num coque por um lápis. O celular a chamava a
todo instante e ela alternava entre sair e entrar. Assistir ou não a palestra
era determinado por um celular. Notei como ela mexia na bolsa, apertava o aparelho
e saía às pressas pela porta lateral. Minutos depois retornava e por alguns
minutos mantinha a atenção presa ao aparelho. Como estariam os cabelos dela na
noite terceira? Quantas vezes ela falaria ao telefone na terceira noite? Num
espaço de tempo em que eu não soube medir, caminhei enquanto falava até bem
próximo à moça. Ela tinha um piercing no lado esquerdo do nariz, sobrancelhas
pretas desenhadas, olhos verdes que se destacavam por entre cílios pretos
retocados por rímel e batom cintilante. Os cabelos presos num coque expunham a
beleza dos seus ombros e a pequena tatuagem no pescoço, uma clave de sol,
desviou os meus olhos do seu olhar. Ela parou de digitar, desligou o celular e
voltou a atenção para mim. Quando me afastei, percebi, ela retornou ao celular.
Entre as 363 pessoas presentes ali apenas o seu rosto grudou em mim. Quis
conhecê-la. Saber se ela aprendeu o que eu tinha para ensinar.
Na manhã do dia seguinte,
separei alguns jornais a fim de lê-los. Tenho esse costume, saber das notícias
locais nos hotéis em que fico.
Na página
primeira, um rosto explicava o vazio da cadeira quinze na terceira noite:
“Jovem
de dezenove anos é atropelada enquanto enviava mensagens pelo celular. A moça
passou por cirurgia e continua em estado grave”.
sábado, 26 de abril de 2014
A AUSÊNCIA DA POESIA
Hoje, quando a
poesia voltou, meu coração escolheu palavras. Quase uma tarde para
encontrá-las. Gastei uma quantidade de instantes selecionando-as. Eu que fiquei
vazio quando houve silêncio, me enchi do riso de poesia que volta. O barulho
causado por uma espera não cabe em versos, num só poema ou numa prosa. Esperar
é dolorido. Esperar a poesia desvia o mundo do mundo. Não aspiro a um planeta
desconhecido, não ambiciono morar no céu, nem espero o inferno, desejo um poema
novo. Com muitas palavras ou quase nenhuma. Procurei. Vasculhei músicas,
debulhei nuvens, embriaguei-me de leituras. Nenhum vento me trouxe alento. Ouvi
o silêncio transportando o meu coração para as coisas sentidas. Nada novo. Meus
sentimentos querem versos de agora. O meu passado não aclara meu amanhã. Sem
poesia, amanhece não. Páginas procuradas, reviradas como textos em correção.
Leituras escavadas como arqueólogo procurando fósseis. Ouvidos atentos como
maestro passando o som. Assim eu me encontrei quando a poesia se ausentou de
mim.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
CONHEÇA JANETE CLAIR, FORMIDÁVEL DRAMATURGA DA TELENOVELA BRASILEIRA.
Janete Clair nasceu Ginette Stoco Emmer, filha do libanês Salim Emmer. Depois de passar uma infância tranquila em Conquista, no Triângulo Mineiro, no vale do Rio Grande próxima a Uberaba em Minas Gerais, o talento de Janete para a vida artística começou a despontar quando a família se mudou para Franca - São Paulo. Na Rádio Herz, a principal emissora da cidade, Janete fazia sucesso interpretando canções em árabe e francês. Aos quatorze anos, precisou interromper temporariamente a vida artística e se dedicou a trabalhar como datilógrafa para ajudar na renda da família. Depois, já na capital São Paulo, fez estágio num laboratório como bacteriologista e aos vinte anos passou num teste para ser locutora e rádio atriz da Rádio Tupi. Adotou o sobrenome artístico Clair, inspirada na música "Clair de Lune" de Claude Debussy por sugestão de Otávio Gabus Mendes. Nessa época, trabalhando na rádio, conheceu e se apaixonou por seu futuro marido, o dramaturgo Dias Gomes.
Nos anos 50, já casada, foi incentivada pelo marido a escrever radionovelas e teve grande sucesso com Perdão, Meu Filho - Rádio Nacional, 1956. Com Dias Gomes, Janete teve os filhos: Guilherme, Alfredo, Denise e Marcos Plínio, este falecido ainda criança com dois anos e meio, fato que em demasia a fez sofrer.
Na década de 1960 iniciou a produção para a televisão, com as telenovelas O Acusador e Paixão Proibida, ambas pela TV Tupi. Em 1967, recebeu a missão de alterar a trama da telenovela “Anastácia, a Mulher sem Destino”, da Rede Globo, para reduzir drasticamente as despesas de produção. Ela, então, inseriu na história um terremoto que matou mais da metade dos personagens e destruiu a maior parte dos cenários. Depois disso, ficou em definitivo na Rede Globo, onde escreveu telenovelas como Sangue e Areia, Passo dos Ventos, Rosa Rebelde e Véu de Noiva.
Nos anos 70 escreveu algumas das telenovelas de maior sucesso da história televisiva nacional, como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972) e Pecado Capital (1975), período este em que passou a ser chamada de "a maga das oito", por garantir índices de audiência estratosféricos nas telenovelas exibidas neste horário, sendo, em muitas, indiscutivelmente imbatível. Em 1978, parou o Brasil com a telenovela O Astro, em torno do mistério "Quem matou Salomão Hayala?", personagem então interpretado por Dionísio Azevedo. Janete Clair se tornou a maior autora popular da história da televisão do Brasil, a única a alcançar 100 pontos de audiência. Morreu precocemente, vitimada por um câncer no intestino, enquanto escrevia a telenovela Eu Prometo, que deixou inacabada. Esta acabou sendo concluída pela colaboradora Glória Perez, que viria a se tornar reconhecida e respeitada novelista pelo viúvo Dias Gomes.
Janete era símbolo de carisma, simplicidade e talento. Suas histórias ainda povoam a mente dos brasileiros. De modo ímpar, permitiu junto com trabalhos de autores como Walter George Durst, Ivani Ribeiro, Cassiano Gabus Mendes e Lauro César Muniz, dentre outros, a popularização da novela como produto de cultura massificada e acessível à população brasileira.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
CONTE UMA CANÇÃO - LANÇAMENTO.
O Editor escritor Frodo Oliveira lançou recentemente através da
Editora Multifoco a antologia CONTE UMA CANÇÃO, nessa obra foram selecionados
autores de todo o Brasil e escritores brasileiros que moram fora do país. O
desafio era o de escrever um conto no qual uma canção seria o tema. Estou
participando dessa antologia com o conto, “YES, O COMEÇO É UM SIM”. O conto foi
inspirado na música YES, uma canção romântica dos anos 80, na voz do cantor norte-americano
Tim Moore. Essa canção foi tema da novela Selva de Pedra – novela de Janete
Clair - reeditada na rede Globo no ano de 1986. O livro CONTE UMA
CANÇÃO é surpreendente, e cada conto faz pensar: alguém um dia editou a sua própria
história, mas não reparou na canção que marcou esse fato.
SEGUE ABAIXO A MÚSICA - YES, TIM MOORE.
terça-feira, 8 de abril de 2014
ANTES QUE GEORGE MORRESSE,
...ele assinou o contrato. Primeiro
de abril, ironia com a morte? Difícil explicar, já que são imortais os
escritores. A notícia me tomou os olhos e embrenhou por meus pensamentos
rasgando o desconhecido em mim. Tantas coisas poderiam “poder” se isso
acontecesse. Fiquei sabendo quem era George. Tal fato me tirou do lugar, afinal
precisava fazer alguma coisa, sentir o mundo, observar as minudências da vida,
antes que o homem expirasse sem terminar o seriado.
O meu cachorro elevou as patas,
apoiou-as em meu colo. Era hora do seu passeio.
Pela rua caminhou um homem carregado de premonições. O tempo marcava George
em mim. Em meus pensamentos elaborei uma lista de coisas a serem feitas caso
George viesse a morrer. O meu cachorro, feliz, voltou para casa sorrindo,
amenizando o George em mim.
Enfiei-me nas canções que o coração guardava, mas que há tempos eu não
exalava a coragem de cantá-las no meu silêncio. Nelas visualizei os amigos,
senti-os de longe... Liguei para alguns. Reparei no meu gato de um jeito novo,
escrevi uma canção e cantei para ele como se o bichano se importasse com a
música. Grudei no portão da minha casa um cartaz com palavras que há anos minha
esposa não ouvia. Assinei também um contrato comigo, nele estabeleci algumas
regras: que não deixaria de fazer as pessoas felizes, que leria os livros do
George RR Martin, que veria o seriado Game of Thrones, que escutaria o sorriso
do meu cachorro, que escreveria uma crônica e que dormiria mais cedo, ouvindo
um blues na voz do B.B King.
George RR Martin assina
contrato que proíbe que ele morra antes de terminar sua série de Livros. “The Global Edition“.
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