domingo, 6 de julho de 2014

CONECTIVOS



Anoitece em mim,
Nas madrugadas
Que anoitece
Às madrugadas,
O amanhecer.

Amanhece em mim
Um não sei o quê de quê
De um sim que é não
Que passa no passar
De um querer

Anoitece sim
Adormeço não
Salvo, ser, símbolo,
Soberbo Suave, coração.


Anoitece o ventre
Amanhece o corpo
O tempo é o ser
De um pouco
Tão solto

Clareia os perigos
Descabidos em desejos
Esclarece os sentidos
De um “mim”, um sou, um eu
Perdido...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

É PRECISO SER SANTO, PRA SER SANTO


Tudo começa em um ponto. Os meios precisam ter início e fim; e o fim, início, meio e fim. Quando é o fim de um fim? Da mesma forma que é o começo de um começo. Abro a janela e vejo através dela outro igual a mim, com os olhos ultrapassando as vidraças. Nossos olhos buscam o infinito que chega devagar, às vezes feio e, em outras ocasiões, bonito. Mas não é um bonito que encanta, é um “bom nito” que alegra os olhos.
Enquanto dura o tempo da beleza, ficamos imóveis, até que passe o tempo do encanto para dar lugar ao costume. As belezas seriam inesperadas se não carregássemos conosco o verbo acostumar. Acostumamos, pois, não acreditamos nas surpresas de uma mesma coisa e uma mesma coisa pode ser nova todos os dias, basta mudar o jeito de olhá-la. Devagar ou apressadas, não importa. A demora de uma contemplação gasta a santidade de um santo.
Meus ouvidos e olhos me encheram de pedras. Separei-as para que o santo que há em mim não as atire em outros e fira alguém olhando pela janela porque penso: não se deve olhar pela janela. E fira também alguém que não passou pela porta no momento em que eu quis. Vivo entre o tempo de dois quereres, o que eu quero em mim e o que almejo nos outros. Esse último é sempre mais forte.
Ontem eu procurei por mim. Estava ocupado qualificando as pedras. Ao meu redor havia muitos olhando pela janela e outros muitos desejando as portas.
            Acordei numa aldeia. O sol sorria lá do alto, e no arraial as pessoas caminhavam apaixonadas por seus costumes. Alguns amavam a aldeia e se exaltavam nela. Outros defendiam as estradas. Há o amor que ama e há o amor que diz amar. Ninguém se confiava, porque não amavam o amor. Nos tempos de muita fé, descubro um pouco de Narciso em mim. Sou como os outros. Sou a virtude da vaidade. Quanto ao lado que se começa um ponto, deixo por decidir. Alguém já disse: de qualquer lado você pode estar certo, mesmo estando certo do lado errado.  


segunda-feira, 30 de junho de 2014

PÁSSARO MOTIVADOR



            Depois de saber que os sonhos dariam certo, caminhei pela praça com um sorriso no coração. Claro, os meus dias andam nublados, mas não apago o meu riso que ri porque gosta de rir. A vida bate, mas agradável está em apanhar de um pássaro.
            Cheio de tempo e pressas caminhei em direção à Biblioteca Pública. Notei que havia pessoas paradas, conversando de pé, enquanto outras, que trocavam risos, ocupavam os bancos. O jardineiro cumpria seus serviços do outro lado da praça.  Não pensei nas árvores, nem nos pássaros, nem nas pessoas que ali estavam, mas cogitei a paz dos livros.
Enquanto caminhava de cabeça baixa, senti algo batendo em mim, notifiquei.
Duas dores ameaçavam a minha cabeça: o salário do mês e as bicadas de um pássaro que protegia o filhote. Não sei se fui levado ou se fui bicado até a porta da biblioteca, sei apenas que caminhei, forçado a andar de cabeça erguida, sem pensar no fim do mês. A ave tinha toda a praça à sua disposição e preferiu o meu caminho. Rondava minha cabeça insistentemente, me impedindo de olhar para o chão. Tive de erguer a moral, troquei a tristeza por momentos de riso. Apanhei, mas continuo amando os pássaros.
A volta.
Houve conflito. “Ou isto, ou aquilo”. Quando era criança Cecília Meireles alertara em seu poema. Ou protegia a minha cabeça das bicadas ou cuidava para que não pisasse no filhote sob meus pés. Preferi a opção subjetiva no poema, a escolha. Escolhi fugir.
Houve luta no meu retorno.  O pássaro, no mesmo lugar, vigiava o filhote, mas eu tinha um livro na mão. Usei-o para proteger a cabeça. Livros são ótimos para proteger a cabeça.
Entro na sala de reunião depois de algum tempo, a mente cheia de cenas. Não tinha mais o baixo astral de antes, tinha risos e metáforas. Quando ‘pessoas’ não mais fazem o bem, eis que a vida usa um pássaro para que se erga a cabeça.
“As notícias não são agradáveis” – ouço alguém dizer – “tudo está pela metade. Essa gente quer ser grande, mas as ideias são pequenas”.

Ouço. Nada digo. Reviro os meus avessos e, com cara de cachorro que chegou do passeio, me assento no sofá, querendo entender a vida que atormenta e usa humanos para provocar dor. Alegro-me em saber: A vida bate, mas agradável está em apanhar de um pássaro. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

POESIAS & AMIGOS


PAÍS DE GUETO


 Não vim aqui falar 
 De branco ou " preto "
 Vim pra informar
 Com todo respeito 
 O que acontece no gueto
 
 Com esperança no olhar
 Logo a se apagar
 De um povo direito
 Um povo a chorar
 O coração bate ao peito
 
 Sem medo buscam
 Buscam se libertar
 Pois os que prometem ajudar
 São os que implantam
 Frustrações e revoltas no olhar
 
 Morre mais um guerreiro
 De um crime não feito
 Já era já foi!
 Em meio ao tiroteio
 De um atira primeiro
 E pergunta depois
 
 Pra um povo oprimido
 Sem chão, 
 Sem opção, 
 O legado de preto
 Pois é , é a realidade do gueto.

♫ 

  AUTOR: Joseph Marie Manic Neto

Aluno da Escola Zilda da Frota Uchôa
Junho/2014
Vilhena - Rondônia


sábado, 21 de junho de 2014

RETICÊNCIAS



E...
Quando o voltar voltar, quero saber o que sente um partir. Se depois de um abraço houve apego aos sonhos buscados. Se depois das despedidas guardou no canto dos olhos uma lágrima tímida. Se depois de algum tempo se estabeleceu dentro de si mesmo. Se as chegadas chegam pra ficar, se ficam porque se entusiasmam ou por necessidades. Se as esperanças acreditam mesmo nas esperas. Se a fé tem mesmo fé e se a razão crê na razão.
Quando o partir partir, quero saber sobre os sentimentos de “um voltar”. Fez compras em um lugar qualquer? Olhou pela vidraça? Entregou-se nas paisagens das estradas, desenhou as ruas, restaurou prédios antigos, casas em ruínas ou fez planos diante do portão antes de entrar na casa nova e descansar?
Quando “o ficar” ficar depois de ter partido e voltado, pretendo entender os anseios de uma inconstância. Valeu a  pena ter partido? Valeu a pena ter voltado? Mais ainda, vale a pena ficar depois de saber que as reticências só possuem direção após dialogar com as palavras? Na verdade, podemos partir. Ir. Voltar. E sem sair de dentro de nós mesmos, absorver os movimentos da vida.
         

terça-feira, 17 de junho de 2014

NOSSA LINDA CANÇÃO


NOSSA LINDA CANÇÃO



Na manhã que acabara de nascer, a gente escolhia fotos. O tempo escorria devagar por entre os nossos diálogos. Nenhuma imagem preenchia o coração dela. Em mim restava a procura. Estar perto era melhor que todas as imagens selecionadas. Nossos risos se tocavam, nossos pensamentos se compreendiam e os nossos acenos se buscavam como notas compondo uma melodia. Eu não estava ali pela manhã que sorria merecendo um verso, mas pela proposta de colher uma bela imagem. No vão das outras coisas a serem feitas, me deixei escapar. Há momentos que são únicos. Todos os momentos são únicos. Escolher fotos era um desses momentos.
A canção que tocava do outro lado da rua era a que precisava tocar dentro de nós. E tocava. Sem ser preciso parar a escuta. 
 Vivemos à busca de instantes para que não percamos as lembranças de um dia. A música tem esse poder, o de levar-nos a lugares distantes, dentro de nós, em poucos segundos. E sem que a gente queira, lá procuramos o que nos alivia já.  As reminiscências não precisam ser de ontem, basta gostarmos dos segundos de um “ainda há pouco”. Quanto tempo dura um “agora”? Agora mesmo já toco o inesperado. Uma fotografia procurada é inesperada. Mesmo sendo a mesma. O inesperado está no olhar da segunda vez.

 Seus olhos não me olhavam, mas sei que me via pelas palavras. Vi o azul se destacando em suas vestes e senti o céu ingressar em meus labirintos. Ela exalava ternura e graça. Sua voz com maciez de Bossa Nova e seu olhar de melodia que move os acordes eram a poesia procurada nas imagens, a completar o seu poema que acabara de nascer.


sábado, 14 de junho de 2014

SOMOS BRASILEIROS!



SOMOS BRASILEIROS




Então xingaram a presidenta.
Reclamaram dos partidos
Fizemos protestos nas ruas
Escondemos O SILÊNCIO!


Meias metades
A politica
A organização
Os estádios,
O Gramado, não!

Mas as vias...
Os árbitros...
Os conceitos de gente da televisão...
Coitado do México!
Do Fredy que caiu
Da Croácia que rugiu
Do japonês que não viu
Coitado do Brasil!


Aqui xingam o presidente
Aqui, não temos educação
Onde já se viu, xingar uma autoridade?

Somos Brasileiros!
Aqui xingamos
Com xingamentos profanos.

Foram tantos anos
Que eu já nem sei para onde foram as escolas
Onde foi parar a educação?


Educados e crescidos
Brasivistos, Brasilidos, Braseventos
Aqui xingam as autoridades
Somos um povo alegre
Que tem caipirinha e samba nos pés

Somos brasileiros! Somos brasileiros!
Cantamos o hino, quase de cor
A letra é muito comprida
Não temos tempo para aprender
Ser feliz é o que basta
Não importa a inteligência

Então xingaram um presidente?!
Eu no meio dessa gente
Sou brasileiro
Sou estrangeiro
Sou utopia
Marcada.