Acendeu a luz. A janela era como um quadro escuro, tamanha a
escuridão do lado de fora. A cabeça girando ainda pelas conversas que ouvira a
respeito de si mesmo uma hora antes. Minuciosamente repassou em sua memória
tudo que lhe fora falado. E se ele fosse o que as pessoas falavam? Guardou-se
em si mesmo e foi olhar o espelho. Estava ficando calvo. Adquirira olheiras e o
rosto estava com a pele ressecada. As orelhas cresceram algumas medidas e sua
mente já não recebia novidades há algum tempo. E por falar no tempo, ele
percebeu, também já não tinha mais tempo. Voltou subitamente o rosto para a
janela, viu a escuridão e nela o temor de estar sendo observado. Caminhou como
quem tem medo até a vidraça e fechou-a de uma fechada só. Cerrou as cortinas e
com a impressão de que alguém o vigiava voltou para o espelho. Estava com o
olhar vermelho, mas não havia chorado. Na festa, disseram que ele estava
sofrendo por amor e que, preocupado, andava perdendo os cabelos. Falaram ainda
que, por andar ansioso, respirava ofegante e isso lhe trouxera uma cor de sol
no nariz. Sempre tivera o nariz avermelhado, mas a maioria só enxerga o
imediato e não vêem que o depois tem um antes. Caminhou pelo quarto, tinha
quase razão, estava sendo observado. Sentiu a pele arrepiando e um frio de
pavor lhe percorrendo a espinha, mas controlou-se, não era de ter medo. Apanhou
uma pequena tesoura e foi até a porta do quarto. Caminhou levemente, com o
objeto em punho, evitando o mínimo possível de ruídos. Abriu delicadamente a
porta. Como alguém que invade uma casa. Mas não saiu. Apenas esticou o pescoço
e observou o corredor. Não havia ninguém. Fechou a porta empurrando com o pé e
depois com a bunda. Voltou para o espelho. Com um pente fino apoiando aparou os
supercílios. Apanhou duas fatias de gaze, dobrou-as, e com um prendedor
especial prendeu-as nas ventas. Queria um nariz afinado, ninguém mais iria
debochar do seu nariz batatudo. Aplicou um pouco de creme no rosto, queria ter
cor de gente, pele de gente e... aspecto de gente. Com o rosto cheio de creme,
caminhou até a porta. Não teve mais dúvida. Estava sendo observado. Caminhou na
ponta dos pés até a janela, abriu-a de uma abrida só. A escuridão lhe invadiu
os olhos. Não tinha ninguém. A gente fica estranho quando se olha demais no
espelho e quando acredita cegamente nas pessoas. Ele estava sendo observado.
Havia alguém frente ao espelho.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
LANÇAMENTO DO LIVRO DIA 28/11/14
PARA LER ENQUANTO ESPERA, um livro de crônicas e contos. Com textos curtos, reflexivos e de fácil leitura, o livro apresenta diversidade de assuntos, talvez despercebido do nosso cotidiano. Em textos como, "Quem espera sempre alcança” e “Por que temos um nome?", o autor traz uma dose de humor que contribui com a heterogeneidade dos temas abordados no livro. O conto “18 anos”, um suspense baseado em fatos reais, e o conto romântico e de ficção "O rio que passava entre nós", oferecem aos leitores o prazer da leitura e a reflexão. No valor que Adélia Prado afirma que: "Todo texto precisa apresentar poesia, pois poesia é o que enfeita a literatura", os textos aqui apresentados foram escritos com sentimento e fala de poeta. Cabe ao leitor, mergulhar nestas páginas e, enquanto espera por algo em algum lugar, que possa desfrutar de uma ótima leitura.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
PRO AMOR EU PEÇO SABEDORIA
PRO AMOR EU PEÇO SABEDORIA
Pro amor eu peço sabedoria
Pra entender o
coração
E um pouco mais de
calma
Pra jogar com a
razão
Pro amor eu peço
sabedoria
Pra educar minha
emoção
E ensinar esse
menino
Tão cansado de
ilusão
Quando eu perco a
coragem de dizer
Eu me esbarro em
qualquer verso de canções
Vou no tempo
navegando sem saber
O pouco a pouco do
amor no coração.
♫
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
POESIA E AMIGOS - MUNDO ADOLESCENTE
MUNDO ADOLESCENTE
Conversas informais
Gírias
São ditas a toda hora
Confundindo o mundo adulto
Os códigos
Tiragem, confusão
Eles não entendem
Mais nada
Carinhas querem dizer palavras
Números representam letras
E assim conseguimos
Contar histórias
Sem que os adultos saibam.
Hadriely Moreira Diniz 8ºA
E.M.E.F Angelo Mariano Donadon
Projeto trabalhando com poesia
Sala de atendimento Educacional especializado
sábado, 4 de outubro de 2014
MÁQUINA DE FAZER PÃO
Observei o
Sr. Arlindo conversando com a minha avó. Ele deixou uma caixa em cima da mesa e
avisou, pode instalar e usar quando quiser. Minha avó abriu um sorriso ainda
maior ao que estava estampado no rosto. Minha curiosidade descambou por minha
alma, o que seria? Perguntei e, algumas vezes, ela apenas sorriu.
Fui morar
com a minha avó quando ainda tinha sete anos. Meu pai não sei quem é, a minha
mãe anda por aí sem se lembrar de nós.
Quando as coisas se agravavam, e isso acontecia repetidas vezes, o Sr. Camilo nos bancava emprestando algum dinheiro para comprar comida e também para pagar os meus livros. Quando eu buscava algum trabalho, minha avó dizia que era para terminar os estudos e que menino deve estudar para ser alguém na vida.
A escassez em casa não me privava de ser alguém. Faltavam a nós dinheiro, roupa e comida, mas não nos faltavam coragem de cantar e sorrir. Às vezes sorríamos de coisas bobas. Sivuca, o nosso gato, adorava correr atrás das baratas e isso nos desviava da aflição.
Quando as coisas se agravavam, e isso acontecia repetidas vezes, o Sr. Camilo nos bancava emprestando algum dinheiro para comprar comida e também para pagar os meus livros. Quando eu buscava algum trabalho, minha avó dizia que era para terminar os estudos e que menino deve estudar para ser alguém na vida.
A escassez em casa não me privava de ser alguém. Faltavam a nós dinheiro, roupa e comida, mas não nos faltavam coragem de cantar e sorrir. Às vezes sorríamos de coisas bobas. Sivuca, o nosso gato, adorava correr atrás das baratas e isso nos desviava da aflição.
Naquela
tarde a minha avó recebeu a sua encomenda. Durante um ano ela economizou da sua aposentadoria alguns trocados para realizar o seu sonho. As vizinhas já tinham uma máquina de fazer pão, faltava uma para a minha avó.
Penso que todas as donas de casa daquela região tinham um utensílio daquele. O Sr. Arlindo instalou a máquina na cozinha, e no meu coração, instalou a esperança. Não tínhamos muito que comer, mas tínhamos uma máquina de fazer pão.
Penso que todas as donas de casa daquela região tinham um utensílio daquele. O Sr. Arlindo instalou a máquina na cozinha, e no meu coração, instalou a esperança. Não tínhamos muito que comer, mas tínhamos uma máquina de fazer pão.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
POESIAS E AMIGOS - VÔOS DA ALMA
Quero uma noite de céu claro
Um rio feito de águas quentes
Um canto de pássaro raro
Quero um sorriso contente
A lua com um lindo riso
De poesia completa
A brisa com toques precisos
No coração dos poetas
Viajar no colo do vento
Para um mundo cheio de cor
Como se minhas asas de remendo
Fossem leves como de um beija-flor
O tempo bem devagar
Acalmando as horas, os segundos...
passeando na pressa do olhar
Disperso do mundo
E tento dizer em versos
O universo dos sonhos meus
Mas o mundo é tão complexo
Que meu verso se perdeu
Se perdeu pra ser achado
Nos instantes do viver
São sentidos, proclamados
Nos labirintos do ser.
(NLC e Nil Cruz)
♥...♫
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)



.jpg)