quinta-feira, 18 de junho de 2015

A ORIGEM DOS NOMES DAS NOTAS MUSICAIS


A ORIGEM DOS NOMES DAS NOTAS
Imagem de Guido d'Arezzo



O nome das notas (, , MI, , SOL, , SI) tem a sua origem na música coral medieval. Foi Guido d'Arezzo, um monge italiano, que criou este sistema de nomear as notas musicais - o chamado sistema de solmização. Seis das sílabas foram tiradas das primeiras seis frases do texto de um hino a SÃO JOÃO, em que cada frase era cantada um grau acima na escala, ou seja (Tom) uma tonalidade a mais. As frases iniciais do texto, escrito por Paolo Diácono, eram:
Ut queant laxis,
Resonare fibris,
Mira gestorum,
Famuli tuorum,
Solve polluti,
Labii reatum.
Tradução:
"Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus actos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros".
Mais tarde ut foi substituído por do, sugestão feita por Giovanni Battista Doni, um músico italiano que achava a sílaba incômoda para o solfejo, e foi adicionada a sílaba si, como abreviação de "Sante Iohannes" ("São João"). A sílaba sol chegou a ser mais tarde encurtada para so, para uniformizar todas as sílabas de modo a terminarem todas por uma vogal, mas a mudança logo foi revertida.
As sílabas: ut, ré, mi, fá, sol e lá, chamadas vozes, não correspondiam a alturas absolutas na escala, mas apenas a graus num hexacorde. A altura das notas era designada por letras de A a G. A partir de um trecho escrito num modo eclesiástico qualquer, podia-se transpô-lo de uma quarta, quinta ou oitava, sem modificar nenhuma das vozes sobre as quais o trecho seria cantado. Uma sequência ré-mi-fá transposta de uma quarta continuava a ser considerada ré-mi-fa, na solmização, e não sol-lá-si bemol como no sistema atual, embora fosse designada por G-A-B em vez de D-E-F. Mais tarde, nos países latinos, adotou-se a designação "dó ré mi fá sol lá si" para representar "C D E F G A B".

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nota


sábado, 30 de maio de 2015

UMA SEMANA INTEIRA - POESIA





UMA SEMANA DE ESPERA

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse o sorriso
Que a distância escondeu na semana.

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse aquele abraço
Que esperei a semana inteira.

E se você chegasse mais cedo
E mais cedo me recitasse Cecília
E mais cedo ainda me ouvisse cantar.

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse devagar
Tudo que eu quero em você.
E mais cedo, mais cedo do “cedo’
Cedesse-me teu chegar
E ainda mais cedo do cedo
Assim sem medo

Entendesse meu olhar.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

O PRESENTE


Numa das manhãs, à beira de dezembro, no trinta do mês que findava, me arranjei na janela e lancei vista pela ribanceira da rua. Um homem descia com um cachorro. Ambos freando os passos, forçando o corpo, evitando ser engolidos pela descida. Após quinze minutos em espera, um ônibus parou, deixando parte da bunda em meu olhar. A outra parte do veículo ficou escondida atrás de um sobrado. A rua do meu lugar desembocava na avenida onde passavam os ônibus urbanos. Do alto, observei com precisão de olhos os carros estacionando no barracão que recebia a minha rua. Todos os dias a minha mãe me colocava na janela e eu observava cada um que subia, mas as que mais rasgavam a minha atenção eram as pessoas que desciam. Para subir, inclinavam-se para frente. Para descer inclinavam-se para trás. Todos os dias eu lia na fachada do barracão de frente para minha rua: O melhor em tudo. Era o supermercado mais importante da cidade. Abria um canto de riso quando via pessoas descendo do ônibus e subindo a rua. As mãos cheias de sacolas. Um homem de terno puxava uma mala e um desconhecido, com cara de vendedor de loja, trazia no ombro uma bicicleta.  Fechei os olhos para idealizar o meu sonho. Me vi descendo a rua, subindo, descendo com os braços abertos, subindo empurrando, devagar ou depressa, pedalando, sentindo o vento batendo em meu rosto. Querer uma bicicleta me era sonho possível. Impossível me era ter pernas para andar. Quando abri os olhos, o homem com cara de vendedor já havia passado. Onde foi ele com a bicicleta? Perguntei e perguntei. Logo notei: não era o meu ônibus, as pessoas descidas não eram as minhas pessoas, mas era a hora do meu ônibus esperado. Esperei. Nem olhei o relógio para não doer a espera. Havia outros ônibus e o meu pai com certeza chegaria em um deles. Imaginei a minha bicicleta. Queria empiná-la como fazia o filho do meu vizinho. Queria os pedais reluzentes como os pedais do meu primo. Queria mesmo era subir nela e pedalar. Andar o bairro inteiro e conhecer o outro lado da cidade, ir onde os meus primos não podiam ir, brincar na rampa de bicicross.  A tarde já descia quando vi meu pai rompendo a subida. Uma caixa na mão. Era uma bicicleta desmontada? Sem fechar os olhos idealizei a cor; azul metálica. A cada minúcia de chegada, a caixa diminuía de tamanho e o meu sonho diminuía os sonhos. Meu pai entrou com um sorriso que eu nunca consegui medir o tamanho. A minha mãe o abraçou de um jeito que eu nunca entendi a força. Disseram quase em uníssono, com voz entusiasmada:

— Filho, agora você vai poder andar! Conseguimos essas pernas mecânicas para você. 

sábado, 9 de maio de 2015

ESPERAS NÃO VINDAS


Horas esquecidas. Um tanto de momentos rasgou o céu das esperas. As poucas pessoas que ali estavam, despercebiam de mim. Acho que nem eu me via.  No momento cotejava o tamanho dos meus pensamentos.  Nas prateleiras da biblioteca, assuntos paginados que poderiam descontar o vazio, preencher momentos e me colocar no mundo real ou na fantasia da realidade. A manhã era de sol que nasce sem amanhecer e o meu aguardar tinha cor de dia não amanhecido. Livros. Meus olhos conversavam com eles, à distância, sem precisar gritos ou voz de chamada. Como os meus anseios, os livros eram muitos, mas não eram barulhosos como a minha vontade. Os livros eram diversos para minha cabeça de espera única.
Na sala, ao redor de uma mesa redonda, duas vidas quietudiavam: um homem e um livro. Ambos esperavam serem tocados. Para o livro, bastava um estender de mão; para o homem era preciso: um abrir de porta, um levantar de rosto, um olhar de procuras, um pouco de caminhar e, um sorriso de chegada se misturando a um abraço. Já algum tempo, gastava ali os meus dias e sobre os meus dias, as manhãs tardeavam.


sábado, 2 de maio de 2015

SOBRE'VIVER



            Vi. Ver é uma questão do viver. Vi e notei, nos meus olhos, incredulidade. Uma palavra, duas ações e um ato: viver. Vi e Ver são monossílabos, mas, viver é mais que dois sons e muito mais que dois atos. Dois verbos que se ajuntam para dar movimentos à existência. Vi e Ver no imperativo têm sons urgentes: vê-ja. Ver o que Vi é viver no aprendizado de que, apesar das coisas que Vi, preciso Ver o que acontece ao meu redor. Ontem eu Vi coisas que os meus olhos não anseiam mais Ver, mas também Vi casos que dão gosto de Ver.  Hoje eu vi fatos. E ver fatos como esses é uma desconstrução. É como se o momento perdesse a chance de apreciar o instante. O instante que não é já é passado. No Viver sofre-se porque viu, e entedia-se porque vê. Há inconstância no interstício, deslocação humana. Viver é um arrastar de alma, um descompreender do instante, um descambar do espírito, um estar que não está. Tudo é, mas também não é. É no “quando está” que se enxerga de verdade. Vi. Ver é recorte meu. Projeto-me, figuro-me, confecciono-me, me visto das verdades que são minhas, sem Wildiar. No ver está o tudo: a beleza e a feiura. A cor, o tempo, o tamanho, a extensão, a dimensão. O viver alegra-se no que viu e também no que vê. Vi e ver. O passado esbarra no presente, mas é instante. E ninguém é instante sem misturar as estações. A emoção captada ajunta os verbos Vi e Ver para sobreviver no tempo que não espera viver. Vi. Ver foi por acaso. Não estava ali por buscas de olhos, mas por automatismo. Vi. Ver esse tipo de acontecimento é fato deslegal. Meu mundo munda por coisas simples. Se perder no simples é sofistificação, no sofisticado é humildade. Temos os olhos abertos, sentimos o mal dos homens absolvidos pelos olhos da luxúria. A necessidade brota do que vi, do que vejo e o que vou ver. As possibilidades ameaçam o viver. Quem tem olhos fechados quer apenas ver. Sobre’viver. Eu estava ali. Registrando com meus registros castanhos: uma câmera e um espelho, entre os objetos, um homem. Parecia tão pouco o mundo, tão pouco o espelho, tão pouco a câmera, tão pouco o homem. Vi. Ver que uma selfie é a essência de ser visto, não cabe no viver do homem que sobrevive inventando verbos. 

 ♫

segunda-feira, 27 de abril de 2015

REFLEXÃO SOBRE O SIM E O NÃO  



Tenho a impressão que a gente acorda Sim, se levanta Não e se desperta na possibilidade da Escolha. Que durante o dia, a gente é todo Sim, é todo Não e entre esses dois símbolos, a Escolha. Na verdade, não somos apenas água, carne e osso, somos Escolha.
Guardo essa inquietação, que o Sim é fulgente, o Não é claro e a Escolha, um árbitro. Que a alma existe, o espírito vive e o corpo é Escolha. Isso se resume em segundos, em cada movimento. A gente demora no Sim, demora no Não e se a escolha demora, vira um Talvez. Durante o dia a gente diz não para o Sim, alguns segundos depois, diz não para o Não. O Talvez fica a decidir quando é sim para Sim e quando é não para o Não: talvez sim, talvez não.
A Escolha, quando escolhe, às vezes recebe um não do Não ou um sim do Sim, mas toda decisão, mesmo sendo um não, é um sim.  Concordar já é um Sim, mesmo que por dentro o Não grita não.
Sinto por dentro que o Sim quer ser o Não e que o Não deseja ser o Sim. Nós, que vivemos de espelhos, queremos ser quem imaginamos. Imagine a dor de um Sim dizendo sim para a morte de quem faz o bem, imagine a dor de um Não dizendo não para a morte de quem só faz maldades. Ah! Mas eles também decidem juntos: imagine a luta do Sim e do Não tentando impedir que a Escolha deixe um indivíduo Assistir o BBB, ouvir alguns funks ou gastar tempo com televisão?
Tenho mesmo a impressão de que, entre o Sim e o Não, a Escolha é uma intermitência, e que esses gêmeos são palavras sábias quando a vida nos cobra a sabedoria.


terça-feira, 21 de abril de 2015

SEM INTERROGAÇÕES


 
Por que Nasci. Por que Esses são os meus pais. Por que Esse é o meu país, aqui é a minha cidade e essa casa é a minha casa. Por que Cresci lentamente e lentamente quis ser logo adulto. Por que Cresci e o crescimento me doeu tanto, tanto que agora quero voltar a ser menino. Por que Passei pelo que passei...
Por que A noite chegou. Por que Adormeci. Por que Acordei e por alguns minutos fiquei sentado na cama até me despertar. Por que Lavei o rosto antes de tomar o café e logo depois voltei ao banheiro para escovar a boca e tirar o restinho de bolacha grudada nos dentes. Por que Tenho de colocar uniformes, andar de carro por alguns minutos, chegar à escola e perceber-me: igual aos demais.
Por que O despertador tem o som de uma canção.  Por que Mesmo que amanheceu. Por que O sol atinge o meu rosto rompendo a fresta de uma janela com vidro fumê. Por que Deixo que a luz me acaricie o rosto, percebo a brisa e levanto feliz.
Por que Ajeito a gravata diante do espelho, observando em meu rosto os muitos agoras que o tempo plantou. Por que Estou no trabalho, mas observando as pessoas que passam no corredor. Por que Chego sem pensar a cozinha, apanho a garrafa de café e retiro dela a última gota. Por que Tomo café e ouço assunto sem interesse. Por que Aceito ouvir, aceito a falta de café, aceito tomar o chá, sem interrogações.
                                     Obs: Esse texto foi escrito para que se fizesse três tipos de leitura: 1º com o por que                                                           de perguntas; 2º com o porque de respostas, 3º leia sem os porques