segunda-feira, 14 de julho de 2014

CASIMIRO DE ABREU - HOMENAGEM



SAUDADE

Meus oito anos, ainda respiro
Encho-me das auroras citadas
E das lembranças guardadas
Nos versos de Casimiro

 Eu que agora destino
Volto naquele menino
Cheio de modificações

Vestido de tempos
Sou a lembrança
Das declamações

Declamava Casimiro
Citava os versos seus
A aurora da minha vida
Em Casimiro de Abreu

Hoje adulto, sou menino
Carrego o Poeta no peito
Descrito em tons reais

Exalto seus versos imortais
Lembrando a infância querida
Que os anos não trazem mais

sexta-feira, 11 de julho de 2014

SOU FILHO DAQUI - QUANDO EU 'QUANDO'


FILHO DAQUI
(Quando eu “Quando”)


Quando eu quando
Sou filho daqui
De longos tempos
E de tempos em tempos
Sou filho daqui.

Quando eu volto
Quando eu penso
Quando eu sinto
Quando eu ouço
Ou quando,
Simplesmente quando.

Quando eu quando
Sou natural
Disperso informal
De estilo inocente
Das linhagens das gentes
Das bandas de cá.

Quando eu quando
Por inteiro me quebranto
Num vagar devagar

E num cantinho só meu
Guardo um quando de espanto
Que se quanda a cantar.

E o filho inocente
Quer o quando sorridente
Das bandas de lá.



terça-feira, 8 de julho de 2014

INQUIETAÇÃO


Não cabe no silêncio do mundo
O meu silêncio
Descabido
Inglório

Profundo.
Desapego do apego
Sobeja o vazio
Do medo
Vazio.

domingo, 6 de julho de 2014

CONECTIVOS



Anoitece em mim,
Nas madrugadas
Que anoitece
Às madrugadas,
O amanhecer.

Amanhece em mim
Um não sei o quê de quê
De um sim que é não
Que passa no passar
De um querer

Anoitece sim
Adormeço não
Salvo, ser, símbolo,
Soberbo Suave, coração.


Anoitece o ventre
Amanhece o corpo
O tempo é o ser
De um pouco
Tão solto

Clareia os perigos
Descabidos em desejos
Esclarece os sentidos
De um “mim”, um sou, um eu
Perdido...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

É PRECISO SER SANTO, PRA SER SANTO


Tudo começa em um ponto. Os meios precisam ter início e fim; e o fim, início, meio e fim. Quando é o fim de um fim? Da mesma forma que é o começo de um começo. Abro a janela e vejo através dela outro igual a mim, com os olhos ultrapassando as vidraças. Nossos olhos buscam o infinito que chega devagar, às vezes feio e, em outras ocasiões, bonito. Mas não é um bonito que encanta, é um “bom nito” que alegra os olhos.
Enquanto dura o tempo da beleza, ficamos imóveis, até que passe o tempo do encanto para dar lugar ao costume. As belezas seriam inesperadas se não carregássemos conosco o verbo acostumar. Acostumamos, pois, não acreditamos nas surpresas de uma mesma coisa e uma mesma coisa pode ser nova todos os dias, basta mudar o jeito de olhá-la. Devagar ou apressadas, não importa. A demora de uma contemplação gasta a santidade de um santo.
Meus ouvidos e olhos me encheram de pedras. Separei-as para que o santo que há em mim não as atire em outros e fira alguém olhando pela janela porque penso: não se deve olhar pela janela. E fira também alguém que não passou pela porta no momento em que eu quis. Vivo entre o tempo de dois quereres, o que eu quero em mim e o que almejo nos outros. Esse último é sempre mais forte.
Ontem eu procurei por mim. Estava ocupado qualificando as pedras. Ao meu redor havia muitos olhando pela janela e outros muitos desejando as portas.
            Acordei numa aldeia. O sol sorria lá do alto, e no arraial as pessoas caminhavam apaixonadas por seus costumes. Alguns amavam a aldeia e se exaltavam nela. Outros defendiam as estradas. Há o amor que ama e há o amor que diz amar. Ninguém se confiava, porque não amavam o amor. Nos tempos de muita fé, descubro um pouco de Narciso em mim. Sou como os outros. Sou a virtude da vaidade. Quanto ao lado que se começa um ponto, deixo por decidir. Alguém já disse: de qualquer lado você pode estar certo, mesmo estando certo do lado errado.  


segunda-feira, 30 de junho de 2014

PÁSSARO MOTIVADOR



            Depois de saber que os sonhos dariam certo, caminhei pela praça com um sorriso no coração. Claro, os meus dias andam nublados, mas não apago o meu riso que ri porque gosta de rir. A vida bate, mas agradável está em apanhar de um pássaro.
            Cheio de tempo e pressas caminhei em direção à Biblioteca Pública. Notei que havia pessoas paradas, conversando de pé, enquanto outras, que trocavam risos, ocupavam os bancos. O jardineiro cumpria seus serviços do outro lado da praça.  Não pensei nas árvores, nem nos pássaros, nem nas pessoas que ali estavam, mas cogitei a paz dos livros.
Enquanto caminhava de cabeça baixa, senti algo batendo em mim, notifiquei.
Duas dores ameaçavam a minha cabeça: o salário do mês e as bicadas de um pássaro que protegia o filhote. Não sei se fui levado ou se fui bicado até a porta da biblioteca, sei apenas que caminhei, forçado a andar de cabeça erguida, sem pensar no fim do mês. A ave tinha toda a praça à sua disposição e preferiu o meu caminho. Rondava minha cabeça insistentemente, me impedindo de olhar para o chão. Tive de erguer a moral, troquei a tristeza por momentos de riso. Apanhei, mas continuo amando os pássaros.
A volta.
Houve conflito. “Ou isto, ou aquilo”. Quando era criança Cecília Meireles alertara em seu poema. Ou protegia a minha cabeça das bicadas ou cuidava para que não pisasse no filhote sob meus pés. Preferi a opção subjetiva no poema, a escolha. Escolhi fugir.
Houve luta no meu retorno.  O pássaro, no mesmo lugar, vigiava o filhote, mas eu tinha um livro na mão. Usei-o para proteger a cabeça. Livros são ótimos para proteger a cabeça.
Entro na sala de reunião depois de algum tempo, a mente cheia de cenas. Não tinha mais o baixo astral de antes, tinha risos e metáforas. Quando ‘pessoas’ não mais fazem o bem, eis que a vida usa um pássaro para que se erga a cabeça.
“As notícias não são agradáveis” – ouço alguém dizer – “tudo está pela metade. Essa gente quer ser grande, mas as ideias são pequenas”.

Ouço. Nada digo. Reviro os meus avessos e, com cara de cachorro que chegou do passeio, me assento no sofá, querendo entender a vida que atormenta e usa humanos para provocar dor. Alegro-me em saber: A vida bate, mas agradável está em apanhar de um pássaro. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

POESIAS & AMIGOS


PAÍS DE GUETO


 Não vim aqui falar 
 De branco ou " preto "
 Vim pra informar
 Com todo respeito 
 O que acontece no gueto
 
 Com esperança no olhar
 Logo a se apagar
 De um povo direito
 Um povo a chorar
 O coração bate ao peito
 
 Sem medo buscam
 Buscam se libertar
 Pois os que prometem ajudar
 São os que implantam
 Frustrações e revoltas no olhar
 
 Morre mais um guerreiro
 De um crime não feito
 Já era já foi!
 Em meio ao tiroteio
 De um atira primeiro
 E pergunta depois
 
 Pra um povo oprimido
 Sem chão, 
 Sem opção, 
 O legado de preto
 Pois é , é a realidade do gueto.

♫ 

  AUTOR: Joseph Marie Manic Neto

Aluno da Escola Zilda da Frota Uchôa
Junho/2014
Vilhena - Rondônia