segunda-feira, 12 de outubro de 2015

MEU NOME É IRINDO - poesia



Quero ir no ir que me faz ir
Quero o daqui
Da aqui o tempo que me escapa
Me levar
Como vento levado
Quero partir
Parte ir
É o meu pedaço
Que pede aço
A parte que não sou.
Quero chegar
Chega ar
Cadê o meu folego?
Quero continuar
Conte no ar
O que me faz permanecer
Sim
Permanece
Ser.

domingo, 26 de julho de 2015

DE CONVERSAÇÃO


Elijanique Savil

— O que você sente por mim?
— Além de carinho? Hum... admiração?! Encantamento!? Muito ciúme talvez...
— Tudo isso? Poxa, não imaginava uma gama assim de sentimentos. Quando perguntei, eu esperava uma resposta assim... mais objetiva, entende? Não que eu não me sinta lisonjeado por lhe provocar tantas sensações, mas é que...
— Eu sei o que você queria ouvir. É só que eu sou um pouco tímida para falar dessas coisas profundas e indecifráveis. Acho que eu te amo! É isso.
— Me agrada profundamente ouvir que você “acha” que me ama, sabia?
— Não me expressei bem. Me desculpe. Preciso aprender a usar melhor as palavras. Algumas expressões me soam um tanto confusas e daí, eu me atrapalho às vezes para dizer as coisas. Só isso.
— Ok então. Mas, que tipo de amor você “acha” que sente por mim?
— Daquele tipo único que engloba todos os tipos nomináveis. Tipo assim, eu poderia ser qualquer coisa que você precisasse, entende? Uma irmã, uma grande amiga, uma super-protetora, uma amante...
— Hum... Esse termo soa muito bem em seus lábios minha querida! Fala mais vai. Alguns signos só fazem sentido para mim se proferidos por você!
— Que maravilha! É sinal que temos o mesmo código de comunicação. Mas enfim, o amor que tenho a você é da espécie que só se tem uma vez na vida. Algumas pessoas até se enganam dizendo amar das profundezas da alma duas, dez vezes na vida e a várias pessoas diferentes. Não duvido que sintam realmente uma variação de amor. Porque é perfeitamente possível amar com amor fraterno a um cidadão (e apenas fraternalmente), enquanto se ama eroticamente a outro. Tudo é amor e, alguém disse que toda forma de amor vale a pena. Concordo. Porém, prefiro a certeza de ter encontrado aquele amor sublime que engloba em si todas as formas possíveis. Sei que essa forma de amor vale muito mais a pena!
— Uau! Quando é que você começou a sentir que me amava assim?
— Como assim? Não se começa a sentir essa espécie sublime de amor por alguém, meu anjo. Desde o nascimento você já sabe a quem vai amar assim. Seu inconsciente passa toda a vida projetando aquele ser (im) perfeito, porém, com todas as características que merecem sua admiração, seu respeito, sua confiança e fidelidade. Você vai encontrar várias pessoas no planeta com aquele olhar que e cativa; outras tantas com o sorriso que exerce um encantamento indescritível sobre você. No entanto, só uma pessoa terá o olhar, o sorriso, a voz, o temperamento, tudo na medida que lhe agrada. E aí, você fica aguardando o momento em que vai cruzar com essa pessoa nos lugares mais improváveis que costuma frequentar: na fila do banco, no cruzamento de uma rua, numa tarde de domingo na praça ou outro lugar qualquer, no ônibus e, até mesmo no trabalho, aquele colega novo que lhe olha a distância e vai se aproximando paulatinamente. Sim, porque esse "amor" jamais será o garotinho, ou garotinha, que cresceu com você e de repente você passa a vê-lo com outros olhos. Isso pode ser uma paixão que depois de consumada fará você ver o/a coleguinha de infância com outros olhos, e outros, e outros, até um dia não querer nem ver novamente esse ser.
— O amor sublime é profundo e eterno...
— Sim. Eterno. Desde sempre, até sempre! Chega com você a este mundo e com você parte dele. Nem sempre temos a sorte de nos encontrar com o objeto desse amor. Mas sabemos que ele está em algum lugar nos esperando. Quando o encontramos, reconhecemo-no imediatamente. É exatamente dessa forma que te amo minha vida!
— Eu também.
— Sério? Não sabia que você bancava o tipo narcisista.
— Não entendi?!
— Narciso, aquele
— Sei quem é Narciso. Não entendi sua colocação...
— Tudo bem. Me deixa esclarecer: não há nada mais humilhante para uma pessoa que acabou de declarar, apaixonadamente, “eu te amo”, do que ouvir em resposta “EU TAMBÉM”.
— (...)?
— Você também o quê? Você também se ama? Você me ama de volta? Ou ficou constrangido por não ter nada a me dizer e saiu-se com essa expressão vazia para que eu interpretasse à minha maneira. Essa é uma tentativa de não se comprometer verbalmente ou...
— É uma tentativa de me comprometer de todas as formas possíveis! Eu também me amo! Eu também te amo! Eu também me amo mais porque te amo demais. Ou então eu simplesmente acabei de descobrir, a partir de seu breve discurso sobre o amor que eu nada sabia desse assunto e que, mesmo assim, te amava loucamente. Profundamente. Infinitamente. Imensurávelmente... Quer me oferecer a sua mão em casamento?
— Eu até ofereceria, mas, que proveito você teria em possuir apenas a minha mão? Assim, o que eu faria sem minha mão? Você não pensa que seria mais lucrativo ter-me inteira com você?
— Claro que sim! Então você é do tipo que a gente pede uma mão aí você oferece o braço?
— Não só o braço não é? Mais sim. Sou exatamente o tipo que você pensou.
— Que imaginei. Que sonhei. O tipo perfeito para uma viagem louca e eterna vida a fora. EU TE AMO!
— EU TE AMO ainda mais!
— Com que então você sabe como não responder eu também?
— Isso e outras coisinhas mais... Você vai ver como poderemos crescer juntos!
— Tenho certeza de que sim, meu amor.
— (...)
— Preciso voltar agora. Minha mulher está me esperando para o jantar.
— É. Eu preciso ir também. Meu marido já está chegando para o jantar. Vou dizer que tive que ir ao banco. Fila enorme...
— Ou que se atrasou no cruzamento da rua... Sinal fechado talvez... Não é?
— Talvez isso. Até mais minha vida! A gente se esbarra por aí qualquer dia.
— Sim, sim. Temos a eternidade para nos amar... Até qualquer dia, meu bem!

* Direitos concedidos por: Elijanique Savil.
    



sábado, 20 de junho de 2015

DEIXE’SE - POESIA


DEIXE’SE

Deixe se levar numa canção
E se perceber num instante novo
E se não puder
Simplesmente se deixe

Deixe se inventar numa palavra
E se envolver num poema novo
E se não quiser
Simplesmente se deixe.

Deixe se encontrar numa dança
E se largar num ritmo simples
E se não entender
Simplesmente se deixe.

Deixe se deixar numa poesia
E se prender numa beleza viva
E se não querer
Simplesmente se deixe.

Deixe se pintar numa Tela rara
E se desenhar numa pintura única
E se não se ver
Simplesmente se deixe.

Deixe se levar num abraço forte
E se envolver no calor do encontro
E se não se encontrar
Simplesmente abrace.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

A ORIGEM DOS NOMES DAS NOTAS MUSICAIS


A ORIGEM DOS NOMES DAS NOTAS
Imagem de Guido d'Arezzo



O nome das notas (, , MI, , SOL, , SI) tem a sua origem na música coral medieval. Foi Guido d'Arezzo, um monge italiano, que criou este sistema de nomear as notas musicais - o chamado sistema de solmização. Seis das sílabas foram tiradas das primeiras seis frases do texto de um hino a SÃO JOÃO, em que cada frase era cantada um grau acima na escala, ou seja (Tom) uma tonalidade a mais. As frases iniciais do texto, escrito por Paolo Diácono, eram:
Ut queant laxis,
Resonare fibris,
Mira gestorum,
Famuli tuorum,
Solve polluti,
Labii reatum.
Tradução:
"Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus actos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros".
Mais tarde ut foi substituído por do, sugestão feita por Giovanni Battista Doni, um músico italiano que achava a sílaba incômoda para o solfejo, e foi adicionada a sílaba si, como abreviação de "Sante Iohannes" ("São João"). A sílaba sol chegou a ser mais tarde encurtada para so, para uniformizar todas as sílabas de modo a terminarem todas por uma vogal, mas a mudança logo foi revertida.
As sílabas: ut, ré, mi, fá, sol e lá, chamadas vozes, não correspondiam a alturas absolutas na escala, mas apenas a graus num hexacorde. A altura das notas era designada por letras de A a G. A partir de um trecho escrito num modo eclesiástico qualquer, podia-se transpô-lo de uma quarta, quinta ou oitava, sem modificar nenhuma das vozes sobre as quais o trecho seria cantado. Uma sequência ré-mi-fá transposta de uma quarta continuava a ser considerada ré-mi-fa, na solmização, e não sol-lá-si bemol como no sistema atual, embora fosse designada por G-A-B em vez de D-E-F. Mais tarde, nos países latinos, adotou-se a designação "dó ré mi fá sol lá si" para representar "C D E F G A B".

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nota


sábado, 30 de maio de 2015

UMA SEMANA INTEIRA - POESIA





UMA SEMANA DE ESPERA

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse o sorriso
Que a distância escondeu na semana.

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse aquele abraço
Que esperei a semana inteira.

E se você chegasse mais cedo
E mais cedo me recitasse Cecília
E mais cedo ainda me ouvisse cantar.

E se você chegasse mais cedo
E trouxesse devagar
Tudo que eu quero em você.
E mais cedo, mais cedo do “cedo’
Cedesse-me teu chegar
E ainda mais cedo do cedo
Assim sem medo

Entendesse meu olhar.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

O PRESENTE


Numa das manhãs, à beira de dezembro, no trinta do mês que findava, me arranjei na janela e lancei vista pela ribanceira da rua. Um homem descia com um cachorro. Ambos freando os passos, forçando o corpo, evitando ser engolidos pela descida. Após quinze minutos em espera, um ônibus parou, deixando parte da bunda em meu olhar. A outra parte do veículo ficou escondida atrás de um sobrado. A rua do meu lugar desembocava na avenida onde passavam os ônibus urbanos. Do alto, observei com precisão de olhos os carros estacionando no barracão que recebia a minha rua. Todos os dias a minha mãe me colocava na janela e eu observava cada um que subia, mas as que mais rasgavam a minha atenção eram as pessoas que desciam. Para subir, inclinavam-se para frente. Para descer inclinavam-se para trás. Todos os dias eu lia na fachada do barracão de frente para minha rua: O melhor em tudo. Era o supermercado mais importante da cidade. Abria um canto de riso quando via pessoas descendo do ônibus e subindo a rua. As mãos cheias de sacolas. Um homem de terno puxava uma mala e um desconhecido, com cara de vendedor de loja, trazia no ombro uma bicicleta.  Fechei os olhos para idealizar o meu sonho. Me vi descendo a rua, subindo, descendo com os braços abertos, subindo empurrando, devagar ou depressa, pedalando, sentindo o vento batendo em meu rosto. Querer uma bicicleta me era sonho possível. Impossível me era ter pernas para andar. Quando abri os olhos, o homem com cara de vendedor já havia passado. Onde foi ele com a bicicleta? Perguntei e perguntei. Logo notei: não era o meu ônibus, as pessoas descidas não eram as minhas pessoas, mas era a hora do meu ônibus esperado. Esperei. Nem olhei o relógio para não doer a espera. Havia outros ônibus e o meu pai com certeza chegaria em um deles. Imaginei a minha bicicleta. Queria empiná-la como fazia o filho do meu vizinho. Queria os pedais reluzentes como os pedais do meu primo. Queria mesmo era subir nela e pedalar. Andar o bairro inteiro e conhecer o outro lado da cidade, ir onde os meus primos não podiam ir, brincar na rampa de bicicross.  A tarde já descia quando vi meu pai rompendo a subida. Uma caixa na mão. Era uma bicicleta desmontada? Sem fechar os olhos idealizei a cor; azul metálica. A cada minúcia de chegada, a caixa diminuía de tamanho e o meu sonho diminuía os sonhos. Meu pai entrou com um sorriso que eu nunca consegui medir o tamanho. A minha mãe o abraçou de um jeito que eu nunca entendi a força. Disseram quase em uníssono, com voz entusiasmada:

— Filho, agora você vai poder andar! Conseguimos essas pernas mecânicas para você. 

sábado, 9 de maio de 2015

ESPERAS NÃO VINDAS


Horas esquecidas. Um tanto de momentos rasgou o céu das esperas. As poucas pessoas que ali estavam, despercebiam de mim. Acho que nem eu me via.  No momento cotejava o tamanho dos meus pensamentos.  Nas prateleiras da biblioteca, assuntos paginados que poderiam descontar o vazio, preencher momentos e me colocar no mundo real ou na fantasia da realidade. A manhã era de sol que nasce sem amanhecer e o meu aguardar tinha cor de dia não amanhecido. Livros. Meus olhos conversavam com eles, à distância, sem precisar gritos ou voz de chamada. Como os meus anseios, os livros eram muitos, mas não eram barulhosos como a minha vontade. Os livros eram diversos para minha cabeça de espera única.
Na sala, ao redor de uma mesa redonda, duas vidas quietudiavam: um homem e um livro. Ambos esperavam serem tocados. Para o livro, bastava um estender de mão; para o homem era preciso: um abrir de porta, um levantar de rosto, um olhar de procuras, um pouco de caminhar e, um sorriso de chegada se misturando a um abraço. Já algum tempo, gastava ali os meus dias e sobre os meus dias, as manhãs tardeavam.