sábado, 27 de setembro de 2014

SE EU TIVESSE VOCÊ




SE EU TIVESSE VOCÊ...

            Pergunto o que houve, recebo um meneio de cabeça. Nada. O vazio se explica com um gesto. O não e o sim são uma cruz. Por que nos gestos o sim é vertical e o não é na horizontal? Pergunto novamente, recebo outro meneio. Leve, mais longo e firme. As perguntas roendo a convicção e o tempo pressionando, quase dizendo: corre, porque se fosse eu, voava atrás. Pergunto se sei correr, os meneios divergem. Insisto, então, sei voar? Como um pêndulo de um antigo relógio, leio os meneios. Alheio a minha aceitação. As perguntas acabam, surgem então as respostas. Elas são muitas, mas não respondem. A sabedoria nos deixa sozinhos quando precisamos dela. Ao insistirmos, se esconde, acho que para fortalecer um desespero.
Sobram-me os meneios.
A imagem clara me leva sem que eu queira ir. Tenho tempo, tenho escolhas, tenho buscas, mas tenho distâncias. Qual a distância de um “distante”? Os meneios se renovam. Prossigo. Tenho planos e preciso me mover, para qualquer lugar. Mas não quero ir longe, me basta apenas a extensão de um sim.
            Tenho distâncias que se asfaltam e estradas que esburacadas se fundem, mas gosto dos caminhos que se inventam por querer um sim. Não é nada mais, mas, mais nada é não. Eu vejo pelo coração que sente. 
            Levanto a cabeça e com um meneio na vertical declaro sim. Conversar comigo dói. Faço muitas perguntas.

Caminho em direção à porta sabendo que o tempo se encarregará de responder sem pressa as minhas indagações de agora. Abro a porta e me deixo ir. A fim de falar de amor e ouvir as palavras que ela vai me dizer. Se eu tivesse você, eu não falaria comigo assim quando estivesse só, nem meneava a cabeça na horizontal, porque amor é isso: não entendemos a gente quando o outro chega. 



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