domingo, 25 de agosto de 2013

UM BARCO NUM JORNAL

Foto de reprodução
UM BARCO NUM JORNAL.

Rasgada a folha
A madrugada escondida
As horas arrependidas
O sol amanhecendo
O normal, anormal.

Rasgada a letra
As palavras esquecidas
A poesia adormecida
Os versos morrendo
O normal, anormal.

Rasgada a página
No meio da vida
Que se abriga
Desenvolvendo
O normal, anormal. 

Rasgada as frases
Que se desliga
Regendo a ida
O normal, anormal
Num barco num jornal.                                        

terça-feira, 20 de agosto de 2013

CITAÇÕES


... Possui o dizer de quem conhece a razão, a calma que desativa uma guerra e um olhar que revira por dentro. Usa pouco as palavras. Também não é preciso muitas palavras, ela é alguém que sabe dos movimentos do amor e que o coração se entrega a qualquer gesto delicado quando se está sozinho. 



terça-feira, 30 de julho de 2013

SIMPLIZANDO


DE PERTO 
O branco...
O preto...
Grudado em você.
Os meus olhos na sua doçura
Se esparrama em candura
Há no corpo um querer
O coração com saudades
Se faz em metades

Querendo te ver.




sexta-feira, 26 de julho de 2013

INSTROSPECÇÃO.


Quero atravessar o mundo

Não o mundo
Mas um mundo.
Levantar sem medo
Sorrir sem segredos
Rir, dos segredos.

Quero atravessar o mundo
Não o mundo
Mas um mundo.
Fé na fé
Esperança na esperança
Amor no amor

Quero simplesmente
Mais que tudo agora
Compreender a compreensão
Amar “amar”
Com o amor do amor
Sem dor.

Quero atravessar o mundo
Não o mundo
Mas um mundo.
Um mundo
Um
Mundo.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

O CODINOME


O maluco do terceiro andar ligou o som no último volume. Havia adquirido um disco de vinil da banda que fazia a sua cabeça quando era um adolescente. Abriu a garrafa de montilla que havia comprado no último show que a banda fizera juntos e que por uma estranha razão resistira ao tempo. Deitado enquanto bebia, cantava a todo pulmão: “só pro meu prazer”.  Estava feliz, o som do vinil nem se compara aos CDs. O som da agulha rangendo o fazia voltar no tempo.
No andar abaixo, a namorada novinha do homem ali se hospedara por uns dias, feliz, queria ver e ouvir a novela. Jamais assistira a Sky numa TV Led. Mas o som de cima não deixava. A felicidade tem metros quadrados e cúbicos. Em um mês o homem saiu da cadeia, arrumou uma namorada – vinte anos mais nova – alugou um apartamento e já encontrou um vizinho querendo encrenca. Com o dinheiro que ganhara na cadeia podia alugar um apartamento com mobília e comprar um carro. Na cadeia o salário é livre. Não se paga INSS, IPVA, pedágios, dízimos, nem as refeições.
O maluco do terceiro andar ouviu alguém destruindo a sua porta, claro, o som estava alto, e somente um estrondo poderia fazê-lo ouvir. Alguém chamava.
— A sua música tá muito alta! – Falou um homem baixinho, que tinha no alto da cabeça um novelo com fios compridos. Os demais cabelos eram cheios e rodeavam o cérebro. Surpreso, o rapaz foi arremessado ao tempo quando brincava com o seu avô. Ele dizia que era patrocinador dos conjuntos da época, pois, tinha na cabeça as suas representações e explicava: na parte lisa, sem cabelos, dizia: Placa Luminosa ou Nenhum de Nós. Os cabelos que cercavam as têmporas, Paralamas do Sucesso. E os pendões isolados no topo, Heróis da resistência. O rapaz começou a rir. O homem não gostou.
— Você me fez lembrar o meu avô. Que coincidência! – Exclamou o moço com euforia. – Estou aqui ouvindo Heróis da Resistência, aí você me aparece com esses pendões... Me bateu uma saudade...
 O homem sacou da sua arma e disparou quatro vezes contra o rapaz. Pendão da esperança era o seu apelido e, por causa desse codinome, fora parar na cadeia, num dia em que numa festa ouvia-se Heróis da Resistência.



   

sexta-feira, 21 de junho de 2013

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terça-feira, 18 de junho de 2013

PONTUAÇÃO.




PONTUAÇÃO.

Depois que a música passar...
Eu ficarei sozinho...
Eu ficarei sozinho!
Eu ficarei sozinho?
Eu ficarei sozinho.

Acho que tudo é a música...
Mas, eu ficarei sozinho...
Eu ficarei sozinho!
Eu ficarei sozinho?
Eu ficarei sozinho.

A arte não é só música...
É, só a música...
É só a música!
É só a música?
É só a música.

Depois, que o sol, acordar.
Depois os homens...
Depois alguns homens!
Depois outros homens?
Depois um homem.

A cidade não é só música...
Eu ficarei comigo...
Eu ficarei sozinho!
Eu ficarei com a Arte?
Sozinho.