sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SAUDADES



Me conta o que você entende de saudades...

E eu te direi a falta que você me faz.
 FOTO DE REPRODUÇÃO


                                                                                     

domingo, 1 de setembro de 2013

LÁPIS DE COR.

                                                                 Foto de reprodução.daysesene     

Uma rua repleta de buracos, o asfalto cinza com meios fios brancos e árvores secas esperando a chuva. Um alto prédio com paredes de vidro azul. Um outdoor. “Precisamos voltar a ser crianças”, o outdoor dizia, tendo como base a imagem de uma criança com amarelos cabelos esvoaçados, colhendo borboletas. Poucas eram as palavras. Poucas eram as pessoas que por ali passavam. Raro era alguém que lia o outdoor. Todos o viam, mas não enxergavam. O prédio azul roubava a atenção. A esquina era azul. Os olhares eram azuis. Os passos eram azuis. A vagareza era azul. A pressa não. Não era azul e nem cinza, mas de uma cor que não se nota.
A menina do outdoor coloriu a estrada. Fechou os buracos das ruas cinza. Os meios fios continuaram brancos, mas um branco que sorri. As árvores ganharam cor de vida, esperança. Dizem significar o verde. A andorinha fez um ninho e aceitou dividir com o curió a árvore mais frondosa. Pessoas caminhavam no tempo de cada coisa. As borboletas amarelas se juntaram com as vermelhas, que trouxeram para perto as coloridas, que amavam as cigarras. Quando a primavera chegou, as cigarras já estavam cantando, sabiam que viria. 
A menina adulta, grande como a sua imaginação, amarrou os cabelos pretos. Grudou na parede do seu quarto a folha de papel. Tinha um mundo na mente e, nas mãos, lápis de cor.



domingo, 25 de agosto de 2013

UM BARCO NUM JORNAL

Foto de reprodução
UM BARCO NUM JORNAL.

Rasgada a folha
A madrugada escondida
As horas arrependidas
O sol amanhecendo
O normal, anormal.

Rasgada a letra
As palavras esquecidas
A poesia adormecida
Os versos morrendo
O normal, anormal.

Rasgada a página
No meio da vida
Que se abriga
Desenvolvendo
O normal, anormal. 

Rasgada as frases
Que se desliga
Regendo a ida
O normal, anormal
Num barco num jornal.                                        

terça-feira, 20 de agosto de 2013

CITAÇÕES


... Possui o dizer de quem conhece a razão, a calma que desativa uma guerra e um olhar que revira por dentro. Usa pouco as palavras. Também não é preciso muitas palavras, ela é alguém que sabe dos movimentos do amor e que o coração se entrega a qualquer gesto delicado quando se está sozinho. 



terça-feira, 30 de julho de 2013

SIMPLIZANDO


DE PERTO 
O branco...
O preto...
Grudado em você.
Os meus olhos na sua doçura
Se esparrama em candura
Há no corpo um querer
O coração com saudades
Se faz em metades

Querendo te ver.




sexta-feira, 26 de julho de 2013

INSTROSPECÇÃO.


Quero atravessar o mundo

Não o mundo
Mas um mundo.
Levantar sem medo
Sorrir sem segredos
Rir, dos segredos.

Quero atravessar o mundo
Não o mundo
Mas um mundo.
Fé na fé
Esperança na esperança
Amor no amor

Quero simplesmente
Mais que tudo agora
Compreender a compreensão
Amar “amar”
Com o amor do amor
Sem dor.

Quero atravessar o mundo
Não o mundo
Mas um mundo.
Um mundo
Um
Mundo.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

O CODINOME


O maluco do terceiro andar ligou o som no último volume. Havia adquirido um disco de vinil da banda que fazia a sua cabeça quando era um adolescente. Abriu a garrafa de montilla que havia comprado no último show que a banda fizera juntos e que por uma estranha razão resistira ao tempo. Deitado enquanto bebia, cantava a todo pulmão: “só pro meu prazer”.  Estava feliz, o som do vinil nem se compara aos CDs. O som da agulha rangendo o fazia voltar no tempo.
No andar abaixo, a namorada novinha do homem ali se hospedara por uns dias, feliz, queria ver e ouvir a novela. Jamais assistira a Sky numa TV Led. Mas o som de cima não deixava. A felicidade tem metros quadrados e cúbicos. Em um mês o homem saiu da cadeia, arrumou uma namorada – vinte anos mais nova – alugou um apartamento e já encontrou um vizinho querendo encrenca. Com o dinheiro que ganhara na cadeia podia alugar um apartamento com mobília e comprar um carro. Na cadeia o salário é livre. Não se paga INSS, IPVA, pedágios, dízimos, nem as refeições.
O maluco do terceiro andar ouviu alguém destruindo a sua porta, claro, o som estava alto, e somente um estrondo poderia fazê-lo ouvir. Alguém chamava.
— A sua música tá muito alta! – Falou um homem baixinho, que tinha no alto da cabeça um novelo com fios compridos. Os demais cabelos eram cheios e rodeavam o cérebro. Surpreso, o rapaz foi arremessado ao tempo quando brincava com o seu avô. Ele dizia que era patrocinador dos conjuntos da época, pois, tinha na cabeça as suas representações e explicava: na parte lisa, sem cabelos, dizia: Placa Luminosa ou Nenhum de Nós. Os cabelos que cercavam as têmporas, Paralamas do Sucesso. E os pendões isolados no topo, Heróis da resistência. O rapaz começou a rir. O homem não gostou.
— Você me fez lembrar o meu avô. Que coincidência! – Exclamou o moço com euforia. – Estou aqui ouvindo Heróis da Resistência, aí você me aparece com esses pendões... Me bateu uma saudade...
 O homem sacou da sua arma e disparou quatro vezes contra o rapaz. Pendão da esperança era o seu apelido e, por causa desse codinome, fora parar na cadeia, num dia em que numa festa ouvia-se Heróis da Resistência.