quinta-feira, 16 de outubro de 2014

PRO AMOR EU PEÇO SABEDORIA


PRO AMOR EU PEÇO SABEDORIA



Pro amor eu peço sabedoria
Pra entender o coração
E um pouco mais de calma
Pra jogar com a razão

Pro amor eu peço sabedoria
Pra educar minha emoção
E ensinar esse menino
Tão cansado de ilusão

Quando eu perco a coragem de dizer
Eu me esbarro em qualquer verso de canções
Vou no tempo navegando sem saber
O pouco a pouco do amor no coração.    
♫    


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

POESIA E AMIGOS - MUNDO ADOLESCENTE



MUNDO ADOLESCENTE


Conversas informais
Gírias
São ditas a toda hora
Confundindo o mundo adulto

Os códigos
Tiragem, confusão
Eles não entendem
Mais nada

Carinhas querem dizer palavras
Números representam letras
E assim conseguimos
Contar histórias
Sem que os adultos saibam.
♫ 
Hadriely Moreira Diniz 8ºA
E.M.E.F Angelo Mariano Donadon
Projeto trabalhando com poesia
Sala de atendimento Educacional especializado

sábado, 4 de outubro de 2014

MÁQUINA DE FAZER PÃO


            Observei o Sr. Arlindo conversando com a minha avó. Ele deixou uma caixa em cima da mesa e avisou, pode instalar e usar quando quiser. Minha avó abriu um sorriso ainda maior ao que estava estampado no rosto. Minha curiosidade descambou por minha alma, o que seria? Perguntei e, algumas vezes, ela apenas sorriu.
            Fui morar com a minha avó quando ainda tinha sete anos. Meu pai não sei quem é, a minha mãe anda por aí sem se lembrar de nós. 

          Quando as coisas se agravavam, e isso acontecia repetidas vezes, o Sr. Camilo nos bancava emprestando algum dinheiro para comprar comida e também para pagar os meus livros. Quando eu buscava algum trabalho, minha avó dizia que era para terminar os estudos e que menino deve estudar para ser alguém na vida. 
       A escassez em casa não me privava de ser alguém.  Faltavam a nós dinheiro, roupa e comida, mas não nos faltavam coragem de cantar e sorrir. Às vezes sorríamos de coisas bobas. Sivuca, o nosso gato, adorava correr atrás das baratas e isso nos desviava da aflição.
            Naquela tarde a minha avó recebeu a sua encomenda. Durante um ano ela economizou da sua aposentadoria alguns trocados para realizar o seu sonho. As vizinhas já tinham uma máquina de fazer pão, faltava uma para a minha avó. 
          Penso que todas as donas de casa daquela região tinham um utensílio daquele. O Sr. Arlindo instalou a máquina na cozinha, e no meu coração, instalou a esperança. Não tínhamos muito que comer, mas tínhamos uma máquina de fazer pão.





terça-feira, 30 de setembro de 2014

PENSEI SER VOCÊ - POEMA

VÔOS DV

 PENSEI SER VOCÊ



As costas nua

Sobre os ombros,

Espalhado os cabelos

A menina tem a lua

E as estrelas como espelho

O corpo moreno

De sereno rabiscado

A noite como amiga

E o poeta encantado

Desenha com palavras

A tua meiguice.






segunda-feira, 29 de setembro de 2014

POESIAS E AMIGOS - VÔOS DA ALMA


VÔOS DA ALMA




♥ ... ♫


Quero uma noite de céu claro

 Um rio feito de águas quentes

Um canto de pássaro raro

 Quero um sorriso contente



 A lua com um lindo riso

 De poesia completa

 A brisa com toques precisos

 No coração dos poetas



Viajar no colo do vento

Para um mundo cheio de cor

Como se minhas asas de remendo

Fossem leves como de um beija-flor



O tempo bem devagar

Acalmando as horas, os segundos...

passeando na pressa do olhar

 Disperso do mundo



E tento dizer em versos

O universo dos sonhos meus

 Mas o mundo é tão complexo

Que meu verso se perdeu



Se perdeu pra ser achado

 Nos instantes do viver

São sentidos, proclamados

 Nos labirintos do ser.



(NLC e Nil Cruz)


♥...♫


sábado, 27 de setembro de 2014

SE EU TIVESSE VOCÊ




SE EU TIVESSE VOCÊ...

            Pergunto o que houve, recebo um meneio de cabeça. Nada. O vazio se explica com um gesto. O não e o sim são uma cruz. Por que nos gestos o sim é vertical e o não é na horizontal? Pergunto novamente, recebo outro meneio. Leve, mais longo e firme. As perguntas roendo a convicção e o tempo pressionando, quase dizendo: corre, porque se fosse eu, voava atrás. Pergunto se sei correr, os meneios divergem. Insisto, então, sei voar? Como um pêndulo de um antigo relógio, leio os meneios. Alheio a minha aceitação. As perguntas acabam, surgem então as respostas. Elas são muitas, mas não respondem. A sabedoria nos deixa sozinhos quando precisamos dela. Ao insistirmos, se esconde, acho que para fortalecer um desespero.
Sobram-me os meneios.
A imagem clara me leva sem que eu queira ir. Tenho tempo, tenho escolhas, tenho buscas, mas tenho distâncias. Qual a distância de um “distante”? Os meneios se renovam. Prossigo. Tenho planos e preciso me mover, para qualquer lugar. Mas não quero ir longe, me basta apenas a extensão de um sim.
            Tenho distâncias que se asfaltam e estradas que esburacadas se fundem, mas gosto dos caminhos que se inventam por querer um sim. Não é nada mais, mas, mais nada é não. Eu vejo pelo coração que sente. 
            Levanto a cabeça e com um meneio na vertical declaro sim. Conversar comigo dói. Faço muitas perguntas.

Caminho em direção à porta sabendo que o tempo se encarregará de responder sem pressa as minhas indagações de agora. Abro a porta e me deixo ir. A fim de falar de amor e ouvir as palavras que ela vai me dizer. Se eu tivesse você, eu não falaria comigo assim quando estivesse só, nem meneava a cabeça na horizontal, porque amor é isso: não entendemos a gente quando o outro chega. 



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O VISÍVEL INVISÍVEL


            Eu só olhei para eles. Acho que bem lá no fundo eles também me olharam, com olhos que eu não podia ver. Senti ali, pelo instinto que me fez chegar e demorar aos seus pés, seus olhos invisíveis, carregados de mistérios. Sei que havia gritos em suas almas e que vozes de sabedoria rasgavam os seus silêncios. Eles se parecem com os humanos. Têm corpos, têm silêncios e suas palavras são audíveis. Eles se abrem e se fecham, dependendo de quem se aproxima. Falam apenas quando são procurados. São discretos.
            Nossos silêncios conversavam enquanto nos admiravam.
            Como quem chega cheio de anseios, ergui a cabeça e contemplei-os. Estendi as mãos e ameacei tocá-los. Eles pareceram sorrir, mas quem riu foi o meu coração. Há quanto tempo estavam ali? Será que conversavam entre eles e falavam de mim? Tenho uma leve sensação que mencionam o meu nome quando a semana passa num gotejar de tempo. Sei que demoro vê-los, quase não apareço, mas o meu coração procura por eles instintivamente. O Eu que sou hoje foi modelado pela sabedoria dos seus dizeres.
Estavam na estante. Pensei folheá-los, cheirá-los... Sentir sua textura. Tem gente que gosta de cheirá-los quando estão novos, outros preferem um cheiro velho, eu prefiro amar seus cheiros em todos os tempos. Os homens nascem livres para tantos desejos, visitar livros é o meu maior gosto. Eu estava ali com o coração estendido a eles, no intento de tocá-los, com toques demorados, um por vez, mas no meio de tantos anseios, eu só olhei para eles, com demorada visão.