sábado, 29 de abril de 2017

AGORA Jhouzséh - PARÓDIA-



COMO SERIA A VISÃO DO "JOSÉ" EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS PARA DRUMMOND? 
UMA PARÓDIA P/ DESCONTRAIR.



  
AGORA Jhouzséh

A grana acabou
O provedor bloqueou
O notebook travou
A net caiu
O chat naum fechou
êh agorah Jhouzséh?
êh agorah vc?
Vc q é sm nome
Que tira osotros
Vc q fz versus
Q protesta \0/
êh agorah Jhouzséh?

Esta sem Cell
Esta sem tomada
Esta sem selfie
Já não pode se ver
Já naum pode compartilhar
curtir naum pode
O zap expirou
A foto não veio
O vídeo não veio
O link não veio
Naum veio a mensagem do dia
E youtube parou
E youtube ruiu
E youtube travou
Êh agorah Jhouzséh?

Êh agoraah Jhouzséh?
Sua errada conversa
Seu instragram uma febre
Sua comida, seu jejum
Sua malhada estética
Sua aparência de ouro
Sua felicidade de vidro
Sua benevolência
Seu ódio – êh agorah?

Com a net na mão
Quer abrir o Face
Não existe face
Quer com alguém teclar
Mas o teclado quebrou
Quer no banheiro fotografar
Há muita gente com um cell lá
Quer rir com as minas
As minas naum quer isso mais
Jhouzséh, êh agorah?

Se vc digitáçe
Se vc iscrevesçi
Se vc trorocasse
O cell por um livro urgente
Se vc dormiçe
Se vc conversasse
Se vc lesse
Mas vc não lê
Vc éh burro Jhouzsé

Digita no ezcuro
Não axa o sapato
Sem histeria
Sem barriga murcha
Para fotografar
Sem post bobo
Para enviar aos amigos
Vc esculacha, Jhouzséh
E se esconde.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

OLHANDO TÁXI



Sou como as notas musicais, mas não tenho oitavas. Sigo o destino por escalas invisíveis. Meu rumo quem aponta são os meus dedos. Depositei a minha infância dentro de uma caixa grande posicionada no meio da sala.
Ontem eu voltei.
O piano ainda está no meio da sala, à espera que meus dedos devolvam o músico que deixei escapar. Tenho a impressão que estamos sempre à espera. Saímos, damos uma volta e retornamos nos mesmos lugares. Muitos desses lugares, em torno de nós mesmos. Todas as viagens e voltas se dão em nosso redor, ainda que os nossos olhos e pés tocam outros espaços geográficos.
Estômago vazio.
Meus olhos vagam pela rua e retornam seduzidos pelos movimentos rodoviários. O homem do restaurante não me reconhece, deixa ficar por ali e todos os dias traz alguma comida. Tenho barbas longas, cabelos desgrenhados e há cinco dias não sei o que é um banho. Uma noite na Alemanha, enquanto aguardava a minha apresentação, ouvi do organizador do evento, “todos nós somos mendigos, pois em algum momento da vida mendigamos o que todos os homens buscam: atenção. Seja em estado da graça ou da miséria”. Naquela noite mendiguei atenção em forma de aplausos. 
Do lugar onde estou percebo melhor o movimento dos táxis. Grafo em minha mente a figura dos três homens que ali trabalham. O calvo de rosto quadrado está sempre com um cigarro aceso, olhando para ambos os lados, sem pressa no olhar. O baixinho usa um jaleco branco e, na maioria das vezes, aguarda com as pernas cruzadas, balançando um dos pés, ziguezagueando a cabeça.  O terceiro se parece com o cara quadrada. Olha insistentemente o relógio no braço direito, caminha de um lado a outro e não faz corridas como os demais taxistas. Aparece ali no turno da tarde. Sua corrida acontece em função de uma única passageira. Uma mulher negra, cabelos com muitos caracóis. Belas curvas num 1,70. Suas luxuosas vestes não se repetem. Após abrir a porta e acomodá-la, o jovem motorista veste o terno, entra no carro, bate a porta e se vai.
O retorno acontece duas horas depois. A bela mulher desce, cumprimenta carinhosamente todos ali e desaparece em direção ao shopping. O mesmo horário em dias seguidos me prende.
O dono do restaurante levanta vista para a rua, o menino da entrega não é visto. O homem volta os olhos para mim. Com as mãos cheias de panfletos, se aproxima. Seu olhar busca lembranças. Te dou comida, mas preciso que faça um trabalho pra mim! Digo sim com um meneio. Ele para os olhos em meu rosto. Repito o sim com um meneio e aponto a minha roupa. Tudo bem. A gente resolve isso depois. Diz, entregando-me o maço de papel. Leio uma folha. Não é certo! O que não é certo? Mostro o panfleto e aponto a minha roupa. Ele sorri e pede para segui-lo.
No horário de sempre a vejo se aproximar do táxi. Duas horas depois a vejo descer do táxi. Seus olhos param em minha direção. Vejo o riso que abre o meu sorrir. Sarah Santos, a Sassá, me reconhece.
Sassá, minha professora de piano escuta a minha história e me convida para ir a sua escola. Depois de algumas horas entre salão e lojas, ela me oferece o piano. Meus dedos deslizam pelo teclado. Volto a ser gente, meus dedos devolvem meu rumo.
Todos os dias no mesmo horário, a minha professora sai. Tenho vontades de saber onde ela vai. Depois de um tempo convenço o motorista a dizer com quem ela está se encontrando. O taxista disse que eles não vão a lugar nenhum. A professora paga para andar pela cidade enquanto lê um livro, mas que ele não pode revelar o nome do livro.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

MIUDÊNCIAS


MIUDÊNCIAS
Sei
Que
Não
Sei
Ser
Um
Ir,
Mas
Sou
Um
Vim,
Um
Fui,
Um
Vou...
Meu
Sou
É
Um
É
Sem
Mim,
Tão
Por
No
Ido
De
Um
Sim. 
.
.
.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

AS PESSOAS E OS PONTOS



Numa viagem. Viver é estar numa viagem. Dentro de um veículo. Dentro do tempo. A passagem de um dia a outro, é uma viagem. Raramente descemos no ponto errado. Existe a escolha, a saída e a chegada.
Existe as paradas que observamos pela janela, e existe as paradas que descemos para esticar as pernas, comprar algo. Há pessoas que aproveitam as paradas para fumar um cigarro, beber um trago, ou observar a cidade, ao que a vista alcança.
Após as paradas, retomamos a viagem. Há também as paradas para uma conexão. Nessas viagens, encontramos pessoas. Quais as que nos fazem parar e firmar uma conexão? Quais as que apenas a olhamos pela janela? Quais as que nos fazem descer e desistir da viagem?
Quais as que entram no veículo, se encaixa em nosso tempo e segue conosco, para qualquer destino?
Há tantas perguntas. E uma dessas indagações, que se tornaram respostas, são as pessoas que nos fazem descer no ponto errado. Fazendo acreditar que poderiam seguir, quando apenas não queriam que tivéssemos destinos.
Uma viagem. Estamos numa viagem, mas somos tão bobos quando insistimos em levar conosco, pessoas que não deseja ir a lugar nenhum.


quarta-feira, 1 de março de 2017

RECORTES DE UM "MOMENTO" ESTRANHO



Todas as notícias ficaram velhas. Envelheceram os gestos, as expressões e os sorrisos. Os olhos não envelheceram, mas ficaram cansados. Os ouvidos não acumularam tempo, perderam os ânimos. Nenhuma música nova. Nem um filme. Esculturas. Literaturas. Nenhuma palavra excêntrica.
Todas as religiões ficaram velhas. A fala. As regras. As explanações.
O novo, um velho novo.
Tudo que era novo.
O novo que era tudo.
O que era, e que, agora é, é simplesmente um “É” velho.
Todas as notícias chegaram rápidas, mas num rápido velho. As novidades foram espalhadas velhosamente, confundindo os gostos. As possibilidades aumentaram, apressando a pressa do homem. As rotinas rotinaram, envelheceram. As inovações não provocaram risos, não acenderam desejos, nem despertaram olhares. Ficaram velhas as confissões, as declarações, as opiniões, as insinuações, as posições... as manifestações, as aproximações, as agressões e os afastes.
O amor ficou velho.
Não, não! O amor ficou novo demais. Novar muito acende o medo. O amor ficou “assim”, abarrotado de medo: como quer um “assim” avelhantado. 
As palavras.
Essas declararam toda forma de velhice. Aquelas delicadas, que chegaram vestidas de carismas, soprando delicadezas, caíram em desuso.
Todos os eu-te-amo ficaram velhos.
Se dispersaram dos corações. Saíram por aí. Num aí sem apego, sem obrigações. Envelhecendo os encontros. Abrindo silêncios. Anoitecendo as manhãs das tardes que envelhecem, por não ter recortes novos.  


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O QUE SIGNIFICA “INSTANTE”



As vezes não observamos quando uma pessoa aproxima de nós. Nem reparamos também como as pessoas se afastam... nos deixam... se vão... dentro de um para sempre, um para nunca, ou um para daqui a pouco.

As vezes, e é as vezes mesmo. Não reparamos como elas ficam, permanecem, assim do nosso lado, à distância de um abraço, ou de cicio de conversa.

As vezes deixamos que escritores e poetas revelem o significado dos VERBOS:
Chegar... Permanecer... Ficar... Ir... Partir... Estar... Ser.


A palavra PERMANECER é a mais longa dos verbos de LIGAÇÃO, mas ela cabe dentro do INSTANTE. E o Instante também pode ser isso: um VI e VER que dialoga com o SER quando a vida exige em seus instantes o verbo VIVER.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O TEMPO DESCALÇO



            Pensava no rosto dela com os cabelos ofuscando o olhar. Sentada na parte alta do salão, seu rosto exercia movimentos suaves, assumindo várias direções, protegendo livros e crianças. Os livros sobre as mesas, espalhando em ambos lembranças literárias. Adolescentes sorriam, sorriam e falavam alto. As palavras eram despejadas com ansiedades e risos. As crianças agitavam-se, desejando tocar os livros.
Ela levantou-se e com um sorriso, caminhou entre cadeiras e tapetes. Após olhar a sua volta, se escondeu atrás de um livro. O chão vazio. Chão branco. Convidando pés descalços. Após observá-la, tirou ele os sapatos e também se refugiou num livro. O chão limpo, branco. Feito ruas: tapetes, mesas e cadeiras preenchiam parte da sala. O rapaz levantou novamente os olhos, a mesa repleta de histórias. Seu olhar ultrapassou os livros, ela lia para um menino.
O rapaz carregado-de-tempo encontrou seus livros de infância. Mergulhou nas lembranças. O livro não apenas estimulara a imaginação, levou-o ao tempos-menino. Abriu um, depois outro e depois outro. A história não estava somente grafada nos livros, o livro estava escrito na sua história. “Ser menino no tempo adulto é bem melhor que ser adulto nos tempos de menino”, pensou.
Ele afastou com os pés os sapatos e, como as crianças, sentou-se no chão. Limpo, o chão branco, convidando sentar. Observou os adolescentes. As crianças em silêncio, mergulhadas nos livros. Ela sentou-se ao lado do rapaz. Os cabelos cobriam parte do rosto, mas não escondiam o seu sorriso. Os lábios desenhados de batom nunca visto, realçava sua boca. Após ouvir o que ela tinha para ler, o rapaz sorriu.
A tarde caminhou entre eles conectando gerações. Sentaram em uma semi- elevação do piso, observando crianças e livros. O chão limpo. Branco o chão, convidando pés descalços. Ela tirou os sapatos. Ele observou os pés dela tocando o chão limpo com delicadeza feminina.